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Fim dos orelhões: balanço de perdas e ganhos para o Brasil

Anatel determina fim dos orelhões até 2028; a frota deve cair a cerca de nove mil unidades, apenas em áreas sem cobertura 4G ainda.

Sem muito alarde, a Anatel determinou a retirada, até 2028, de todos os orelhões existentes no país (Foto: Wikimedia Commons)
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  • A Anatel determinou a retirada de todos os orelhões do país até 2028, com a maioria estimada em desativação já nos próximos dois anos.
  • Hoje existem pouco mais de 30 mil orelhões, em contraste com os 1,5 milhão existentes na década de 1990. A projeção é de 9 mil unidades restantes em áreas sem cobertura de 4G.
  • Os motivos são que os orelhões são desnecessários e a conta de manutenção não fecha.
  • Dados do IBGE apontam que, em 2025, 88,9% da população com mais de 10 anos tinha celular, com mais de 500 milhões de aparelhos ativos no país; entre 2018 e 2025, as operadoras gastaram R$ 1,69 bilhão na manutenção dos orelhões.
  • O orelhão, criado pela arquiteta Chu Ming Silveira, é parte da memória urbana e hoje pode virar peça de museu ou de decoração, ao mesmo tempo em que simboliza a transformação da comunicação pública no Brasil.

O que aconteceu foi decidido pela Anatel: até 2028, o Brasil terá a retirada de todos os orelhões existentes no país. Hoje são pouco mais de 30 mil aparelhos remanescentes, em contraste com 1,5 milhão na década de 1990. A medida busca reduzir custos com manutenção e enfrentar a obsolescência tecnológica.

A expectativa é que, em dois anos, restem cerca de 9 mil orelhões em áreas onde a cobertura 4G ainda não alcança. A ideia é manter o serviço apenas onde houver necessidade futura, ainda que a ampliação de rede seja prevista para o futuro. A conta de manter os orelhões já não fecha para operadoras.

Dados do IBGE apontam que 88,9% da população com mais de 10 anos tinha celular em 2025, e o Brasil possuía mais de 500 milhões de aparelhos ativos naquele ano. Entre 2018 e 2025, as operadoras gastaram aproximadamente R$ 1,69 bilhão na manutenção dos orelhões. O retorno do uso público caiu drasticamente.

Design icônico

Os orelhões nasceram para atender a comunicação urgente e se tornaram símbolos visuais da cidade. O formato foi criado pela arquiteta e designer Chu Ming Silveira, inspirado não na orelha, mas no ovo. O nome oficial é Telefone de Uso Público (TUP), e o conjunto de três ou mais aparelhos era conhecido como tulipa.

Feitos em fibra de vidro, os orelhões resistiam ao calor, chuva e poluição, com isolamento acústico suficiente para funcionarem em ambientes urbanos barulhentos. Não possuíam porta, e a operação dependia da disponibilidade de fichas.

O projeto brasileiro ganhou expressão internacional, com orelhões exportados para várias regiões do mundo. Em 2012, São Paulo promoveu a Call Parade, transformando o que restava de orelhões em obras de arte públicas, marcando o início do declínio do equipamento.

Memória da cidade

Na história cultural, o orelhão também ficou registrado em crônicas e momentos de entretenimento. Em 1980, houve a apresentação de orelhões volantes em shows, como no Maracanã, durante apresentações de artistas internacionais, e em estádios o equipamento passou a integrar a rotina de imprensa e de celebração de gols.

Com a popularização dos smartphones, o uso público perdeu espaço e gerou impactos na convivência urbana. Em contrapartida, trouxe ganhos como maior autonomia e privacidade, ao passo que reduziu a interação pública sobre chamadas urgentes.

O que vem pela frente

O fim dos orelhões, previsto para 2028, transforma a paisagem urbana em uma lembrança cada vez mais sólida. Em plataformas de venda, alguns aparelhos chegam a ser oferecidos como itens de colecionador, com valores acima de mil reais dependendo do estado de conservação. As fichas, por sua vez, lembram uma tecnologia já ultrapassada.

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