- Depois de 23 dias de greve, os docentes da educação pública não universitária valenciana optaram por suspender temporariamente o paro, manter mobilizações para o próximo ano letivo e continuar as negociações com a Generalitat; 30.238 participantes, com 87% rejeitando a oferta mais recente.
- A suspensão permite que os sindicatos STEPV, CC OO e UGT mantenham as ações de protesto sem greve formal, com possibilidade de retomar o movimento a qualquer momento; CSIF havia saído das mobilizações semanas antes.
- O acordo salarial continua sendo o ponto mais contestado: 87% foram contrários à assinatura do texto global, que inclui aumento de até 200 euros mensais em 15 meses, rejeitado pela maioria em diversos blocos da negociação.
- O conjunto de propostas foi amplamente rejeitado, incluindo itens de formação profissional, inclusão educativa, valenciano, infraestrutura, quadro de docentes, razões de escola e, principalmente, retribuições, com 90% de oposição.
- O governo regional manteve a proposta de melhoria salarial com prazo de implementação gradual, além de investimentos em construção, reformas e climatização das escolas; as partes seguem em negociação para possível assinatura de “preacordos” em pontos de consenso.
Depois de 23 dias de greve indefinida na educação pública não universitária da Comunitat Valenciana, os docentes decidiram suspender temporariamente a greve por meio de uma consulta telemática. A parcela maioritária dos participantes optou por manter as ações de protesto e continuar negociações com a Generalitat, mantendo o vínculo com os sindicatos que defendem a paralisação, sem prolongar o afastamento definitivo.
Entre os 30.238 docentes que participaram, 87% rejeitaram a oferta global apresentada pela Generalitat. A sondagem ocorreu nas últimas 24 horas, com a decisão sendo anunciada mesmo diante de uma quinta semana de mobilizações, que vinham registrando menor adesão nos dias recentes.
Essa suspensão estratégica permite que as entidades sindicais permaneçam ativas na mobilização, mas sem manter a greve em vigor. Se desejarem retomar as ações, basta um retorno imediato com o mesmo formato e convocação, já que o CSIF deixou o movimento há semanas.
Última oferta e rejeições
A proposta apresentada pela Generalitat na última terça-feira, 9 de junho, previa um panorama de quatro anos com aumento salarial de 200 euros mensais nos próximos 15 meses, contratação de 5.000 novos docentes e redução de ratios, além de investimentos em infraestrutura, reforma de escolas e um plano de climatização de salas, com foco em 140 milhões de euros.
Apesar de pontos positivos para a base, 87% rejeitaram o conjunto das medidas, incluindo trabalhos da formação profissional, inclusão educativa, domínio do valenciano, infraestrutura, corpo docente e pessoal, bem como as retribuições, que enfrentaram maior oposição, chegando a 90% de discordância entre os docentes.
Entre os itens que obtiveram apoio parcial, ficou a simplificação burocrática. Em contrapartida, as propostas da Administração foram rejeitadas pela maioria nos blocos de formação profissional, inclusão educativa, língua valenciana, infraestrutura, pessoal docente e demais itens. O grupo majoritário sustenta a retomada das negociações para reabrir o capítulo salarial.
Perspectivas e próximos passos
Os sindicatos STEPV, CC OO e UGT reiteram a necessidade de reabrir as negociações sobre as retribuições, tema que já havia sido aceito por ANPE e CSIF. A expectativa é retomar a mesa de negociação com Educação para discutir ajustes salariais, além de manter o foco em simplificação de burocracia, redução de ratios e melhorias na climatização e infraestrutura.
Marc Candela, responsável pela ação sindical do STEPV, afirmou que pretende levar os resultados da consulta à reunião prevista para a manhã de quinta-feira com a Educação. Em pontos onde houver desacordo, as negociações devem continuar buscando um texto que atenda ao conjunto do corpo docente sem perder a viabilidade orçamentária.
Durante o processo, houve aproximação em alguns aspectos, como a ideia de firmar pré-acordos em blocos com consenso. A Generalitat sinalizou abertura a considerar sugestões dos sindicatos, desde que refletidas de forma adequada no documento final e com melhorias em áreas já discutidas.
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