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Não sou desrespeitoso, mãe: não entendo

Crise de ensino de matemática nos EUA persiste, apenas uma parcela recuperou níveis pré-pandemia, e defasagens se ampliam do ensino fundamental ao médio

A sad child with several math symbols
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  • Dados da NAEP indicam que o desempenho em matemática do quarto e do oitavo ano atingiu picos em 2013, caiu após isso e despencou durante a pandemia, mantendo-se quase estável desde então.
  • Apenas 6% das crianças matriculadas em escolas americanas atingem níveis de domínio pré-pandêmico em leitura e matemática; distritos de renda mais alta recuperam mais rápido que os de menor renda.
  • Em Midland, Texas, a mãe Ebony Coleman percebeu que a filha não entendia a matemática, com professores pouco ou nada explicando dúvidas, o que levou a dificuldades em séries posteriores.
  • Professores relatam turmas com alunos de diferentes níveis de base, o que facilita manter notas altas mesmo sem mastery real, além de pressão por desempenho e inflação de notas.
  • Na Universidade da Califórnia em San Diego, o número de alunos em cursos de matemática remedial subiu de 32 (2020) para mais de 1.000 (2025), indicando defasagens que começam na educação básica.

O desempenho em matemática nas escolas americanas está em crise, segundo dados nacionais e relatos de escolas. Alunos do 4º e do 8º ano mostraram queda após o pico em 2013, com a pandemia agravando a tendência. Os números apontam recuperação insuficiente desde então.

A avaliação NAEP indica que apenas 6% das escolas recuperaram os níveis de domínio pré-pandemia em leitura e matemática. Distritos de alta renda estão quase quatro vezes mais próximos dessa recuperação que os de baixa renda. Alabama aparece como exceção entre os estados.

Esses indicadores refletem a situação de cada aluno, com necessidades específicas de aprendizagem. Em Midland, Texas, uma mãe observa que a filha chegou ao 8º ano sem compreender conteúdos básicos, o que preocupa a forma como o material é apresentado em sala.

Ebony Coleman, baixinha de Midland e idealizadora do JumpStart Midland, relata que a filha disse que não entendia a matemática. A professora, segundo a mãe, não respondeu às dúvidas de forma clara e chegou a repreendê-la.

Coleman passou a investigar além das notas, descobrindo deficiências em fundamentos como leitura de relógio analógico, frações, porcentagens e na fluência de multiplicação. Segundo ela, o problema começa nos anos iniciais e se acumula nas séries seguintes.

Professores de Midland ISD confirmam, sem falar publicamente, que há defasagens semelhantes. Em relatos não oficiais, eles afirmam que muitos alunos chegam sem entender a diferença entre multiplicação e divisão, ou sem domínio de números positivos e negativos.

O grupo evidencia que o acúmulo de dificuldades compromete o desempenho futuro. Colecionar notas altas não significa domínio de matemática, apontam educadores consultados. A inflação de notas pode mascarar falhas estruturais no aprendizado.

Especialistas citados acompanham o cenário nacional, destacando a pressão sobre docentes para manter médias altas. Em muitos casos, a avaliação revela que alunos com déficit não recebem apoio adequado para superar déficits de base.

A Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD) tem observado aumento em matrículas em cursos remediais de matemática. Entre 2020 e 2025, o contingente que testa para a remediação passou de 32 para mais de 1.000 estudantes, demonstrando necessidade de apoio além do ensino regular.

Estima-se que não apenas o ensino superior, mas o conjunto do sistema educacional precise revisar estratégias de ensino de matemática. A direção do Midland ISD, citada por fontes locais, afirma que a situação é crítica, com queda de proficiência entre o 5º ano e o ensino médio.

Segundo autoridades locais, a realidade de Midland mostra que a proficiência em matemática em séries iniciais ainda parece sólida, mas o declínio se acentua do 5º ano em diante, deixando uma parcela expressiva dos alunos atrasada em relação ao currículo.

Este texto compõe a primeira parte de uma série de três reportagens sobre educação matemática nos EUA. Acompanhe a próxima edição para diferentes perspectivas e dados regionais.

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