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PF aponta banco ligado a Edir Macedo inflou ativos

PF aponta manobra contábil no Banco Digimais, controlado por Edir Macedo, que inflou ativos em R$ 670 milhões; BC determinou reversão e operação envolve nove alvos

Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus
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  • O Banco Central identificou que diretores do Banco Digimais, controlado por Edir Macedo, inflaram o balanço em cerca de R$ 670 milhões.
  • O esquema envolveu reavaliações artificiais de direitos creditórios, burlando determinações de correção do BC.
  • As operações foram feitas por meio de compras de créditos de uma ação de indenização de 1967, com parcelas adquiridas entre 2023 e 2023 e revalorizadas em vários fundos.
  • Em outubro de 2023, o BC determinou a reversão das reavaliações, mas o banco tentou postergar o impacto contábil e, em 2025, vendeu cotas do fundo para a controladora sem ingresso de caixa.
  • Em dezembro de 2025, o Digimais vendeu as cotas da Hermon para a própria controladora pelo valor total, mantendo os valores artificiais nos balanços sob rubrica de valores a receber do controlador.

O Banco Central identificou que diretores do Banco Digimais inflaram o balanço da instituição em cerca de R$ 670 milhões. A constatação faz parte de relatório enviado pela Polícia Federal, que resultou em uma operação com nove alvos de busca e apreensão nesta terça-feira.

De acordo com o documento, o Digimais utilizou práticas financeiras temerárias ligadas a reavaliações artificiais de direitos creditórios, simulando correção determinada pelo BC. A PF aponta semelhanças com o extinto Banco Master.

O esquema envolveu créditos oriundos de uma ação de indenização de 1967 movida contra a União, herdada por familiares Villela. Os ativos foram adquiridos por meio de fundos de investimento em etapas entre 2023 e 2025.

Em fevereiro de 2023, 7,7% do crédito foi adquirido por R$ 9 milhões e reavaliado para R$ 100 milhões. Em junho, outra parcela de 9,25% foi comprada por R$ 22 milhões e reavaliada para R$ 130 milhões, elevando ativos de R$ 71 milhões para R$ 741,3 milhões.

No ano seguinte, o fundo Hermon FIDC-NP, com cotas do Digimais, comprou mais duas parcelas por R$ 20 milhões cada e teve novas reavaliações para R$ 174,6 milhões por parcela. No total, o crescimento chegou a 670,3 milhões de reais.

O BC em outubro de 2023 abriu termo de comparecimento pedindo a reversão das reavaliações e o registro pelo custo real. O Digimais solicitou parcelar o impacto em cinco anos, mas, segundo a polícia, adotou outra estratégia.

Em dezembro de 2025, a Digimais vendeu as cotas do Hermon para a controladora, a B.A. Empreendimentos e Participações, pelo valor total de R$ 741,3 milhões, sem entrada de recursos no caixa. O pagamento ficou previsto para 2032, com correção pelo IPCA mais 0,5% ao ano.

A fiscalização aponta que a operação manteve nos balanços os valores artificiais das reavaliações, agora classificados como valores a receber do controlador, configurando, segundo o BC, uma forma de contornar a determinação anterior.

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