- Oxford Economics aponta Brasil, México e Colômbia entre as economias com maiores desafios para estabilizar a dívida, com DSPB próximo a 3% do PIB no Brasil, o patamar mais elevado da amostra.
- O DSPB (saldo primário estabilizador da dívida) avalia quanto surplus primário é necessário para evitar o aumento da dívida/PIB no médio prazo, com dados de 46 economias analisadas.
- Mais de vinte e cinco por cento das economias estudadas precisam de superávits primários indefinidos; cerca de dez por cento exigem superávits superiores a um por cento do PIB de forma permanente.
- Além do Brasil, entram na lista vulnerável Itália, Japão, África do Sul, México e Colômbia; Turquia, Espanha, Reino Unido, Bélgica, França, Peru e Canadá também aparecem nessa categoria.
- O relatório destaca que ajustes fiscais prolongados são difíceis de sustentar, que inflação não resolve rapidamente o problema e que o futuro dependerá da manutenção de superávits primários consistentes em meio a custos de financiamento elevados.
O Brasil figura entre os países com maior vulnerabilidade fiscal, aponta um relatório da Oxford Economics que analisou 46 economias, entre desenvolvidas e emergentes. O estudo foca no saldo primário estabilizador da dívida (DSPB), indicador que estima o superávit primário necessário para impedir que a dívida pública relative ao PIB siga subindo no médio prazo. Dados indicam que o DSPB brasileiro está próximo de 3% do PIB, patamar considerado crítico pela entidade.
Segundo os economistas Gabriel Sterne e Felipe Camargo, o Brasil é a maior preocupação entre as economias avaliadas. O patamar atual sugere que o país precisaria manter ajustes fiscais consistentes por longos períodos, o que historicamente esbarra em apoio político e viabilidade econômica.
O relatório aponta que Brasil, México e Colômbia não estão sozinhos: Itália, Japão, África do Sul, além de outros, também exibem necessidades persistentes de superávits primários para estabilizar a dívida. No conjunto, pouco mais de 25% das economias analisadas exigem esforços indefinidos, e cerca de 10% requerem superávits acima de 1% do PIB de forma permanente.
Brasil no topo da lista de vulnerabilidade fiscal
O DSPB do Brasil, segundo a análise, é o mais elevado entre as principais economias da amostra, reforçando a percepção de que o país enfrenta pressões políticas e fiscais para sustentar reformas por períodos prolongados. Economistas destacam que esse nível aproxima-se de uma zona crítica.
Além do Brasil, o relatório cita México e Colômbia como enfrentando necessidades de ajuste próximas a patamares altas. Itália, Japão, África do Sul, Turquia, Espanha, Reino Unido e França também aparecem entre as economias com vulnerabilidade fiscal relevante, exigindo superávits primários contínuos.
Desafios e perspectivas
A Oxford Economics observa que histórico de consolidação fiscal bem-sucedida é raro. Entre exemplos citados, Irlanda e Bélgica aparecem com períodos longos de superávits, assim como o México, com trajetórias de ajustes ao longo de dezenas de anos. A instituição também ressalta que, após a pandemia, as economias desenvolvidas sofreram deterioração fiscal mais acentuada do que os emergentes.
O relatório reforça ainda que a inflação não deve ser vista como solução rápida para reduzir dívidas. Entre 2020 e 2023, houve redução da dívida por meio da inflação, mas com custos econômicos significativos, como menor crescimento e maior encargos financeiros.
A projeção de curto prazo indica que o Brasil, México e Colômbia dependerão de manter superávits primários estáveis, em um contexto de custos de financiamento elevados e exigências crescentes sobre as contas públicas. A reportagem destaca que as alternativas rápidas são limitadas e que mudanças estruturais são necessárias para evitar o aumento contínuo da dívida.
Entre na conversa da comunidade