- O início do El Niño foi confirmado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o que aumenta a especulação sobre o fornecimento de cacau e elevou os preços para US$ 4.588 por tonelada, com ganho de 8,28% na segunda-feira e 20% no último mês.
- Os estoques globais continuam abaixo de patamares históricos, deixando o mercado mais vulnerável a interrupções na produção, já que a oferta é fortemente concentrada na Costa do Marfim e em Gana, responsáveis por mais da metade do cacau consumido mundialmente.
- A produção na Costa do Marfim, Gana e Equador pode ser impactada pela mudança de padrões climáticos do El Niño, com previsões de intensidade elevada para o segundo semestre de 2026 e início de 2027, o que preocupa o mercado.
- A Organização Internacional do Cacau projeta produção mundial de aproximadamente 4,7 milhões de toneladas na safra 2025/26, com superávit de cerca de 75 mil toneladas, mas esses números dependem das condições climáticas.
- Analistas destacam que o cenário atual é de normalização com riscos, já que um El Niño mais intenso pode pressionar os preços, principalmente se afetar a produção na África Ocidental e na América do Sul.
O início do El Niño, confirmado pela NOAA, reacende a incerteza sobre o cacau. Depois de estabilizar perto de US$ 3.000 por tonelada em 2024, o mercado volta a oscilar, com sinais de que a normalização pode durar pouco.
A alta recente levou o preço a US$ 4.588 por tonelada na segunda-feira, 22, com ganho de 8,28% no dia e evolução de 20% no último mês. Ainda assim, o recuo no acumulado de 2026 manteve o cacau em território volátil.
A leitura de estoques ajuda a explicar a sensibilidade. A relação estoque-moagem ficou em 28,8% em 2025, abaixo da média histórica de 46%, o que aumenta a resposta dos preços a choques climáticos e interrupções.
Fatores climáticos e produção concentrada
A relação entre El Niño e produção continua central na análise. A Costa do Marfin é responsável por cerca de 38,2% da produção global, com Gana somando 12,4%, somando mais da metade do cacau mundial.
Analistas destacam que o episódio pode alterar padrões de chuva e temperatura nessas áreas, elevando a pressão sobre os preços caso a produção se deteriore. O cenário mais provável para o curto prazo envolve ajustes na oferta.
A ICCO projeta produção mundial de 4,7 milhões de toneladas para 2025/26, com superávit modesto, mas os números podem mudar conforme o tempo. Avaliações apontam que condições meteorológicas adversas podem reverter esse equilíbrio.
Perspectivas de preço e riscos
O Citi mantém a expectativa de tocar US$ 5.000 por tonelada em três meses e US$ 6.000 em doze meses, caso a produção africana seja impactada. O Citi também revisou para baixo as estimativas de Ivory Coast, Ghana e Equador, elevando o risco de déficit.
O Wells Fargo aponta probabilidade alta de El Niño intenso, o que aumenta a chance de novos choques. O mercado acompanha de perto os sinais da safra 2026/27, quando os efeitos climáticos devem ficar mais evidentes.
Além do clima, fatores estruturais como fertilizantes caros e investimentos ausentes pesam sobre a oferta. No curto prazo, porém, analistas indicam que o mercado pode não recusar completamente o equilíbrio, ainda que permaneçam reservas historicamente baixas.
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