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O fim do crescimento econômico da China

O fim dos anos de ouro na China desacelera o crescimento, altera o consumo e o mercado imobiliário e desafia a legitimidade do Partido Comunista Chinês

A studio shot of an artifact displayed on a black, textured stone pedestal against a solid red background. The artifact is a white porcelain vase with a cracked glaze texture and a large, serpentine blue dragon painted on its side. Geometric blue patterns decorate the rim and base of the vase. A large chunk is missing from the upper right side of the vessel, showing a broken edge. The front of the pedestal features a small white label that reads "EXHIBIT 4: Chinese Growth".
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  • a China definiu alvo de crescimento mais baixo, entre quatro e cinco por cento, sinalizando uma mudança dos anos de fast growth para uma trajetória mais contida.
  • o crescimento caiu ao longo dos anos 2010, agravou-se durante a pandemia de covid-19 e enfrentou a crise do setor imobiliário, com queda acentuada de 2020 a 2022 e desemprego jovem alto em 2023.
  • a economia chinesa tradicionalmente dependeu de expansão creditícia, urbanização rápida e valorização de ativos, incluindo a privatização de moradias nos anos noventa e o peso da habitação na riqueza das famílias.
  • para o governo, a desaceleração é problema político: a legitimidade do partido depende de crescimento econômico, e políticas de prosperidade comum tentam reduzir desigualdades, enquanto há tensões entre consumo e disciplina ideológica.
  • a China enfrenta um envelhecimento acelerado da população: a taxa de natalidade caiu e a população chegou a encolher em 2022, ampliando o desafio demográfico, ainda que o país permaneça uma potência global com impactos em várias economias.

O texto analisa a mudança de trajetória da China, saindo de décadas de crescimento acelerado para um ritmo mais contido. O governo definiu uma meta de expansão anual entre 4,5% e 5%, sinalizando cautela. A transição afeta também a vida cotidiana.

Ao longo de 40 anos, a China teve crescimento acima de 10% ao ano, impulsionando consumo, infraestrutura e riqueza para dezenas de milhões de chineses. A mudança de ritmo altera hábitos de investimento, crédito e emprego.

O declínio começou no fim da década passada, com desaceleração gradual e, depois, choques como a pandemia. Em 2020 a expansão ficou em 2,2%, e 2022-2023 mostraram recuperação fraca, com desemprego juvenil elevando preocupações estatísticas.

A bolha imobiliária e as dificuldades de grandes incorporadoras acentuaram a desaprovação econômica. Em 2019, preços de imóveis atingiam patamares elevados; desde então, o governo tem tentado sustentar valores, enquanto as vendas caem.

No âmbito político, o regime viu no declínio econômico um desafio à legitimação. Três pilares guiavam a política desde os anos 1990: prosperidade econômica, orgulho nacional e ideologia. A redução do crescimento coloca esse pacto à prova.

O governo impulsiona a ideia de “prosperidade comum”, tentando reduzir desigualdades, mas enfrenta resistência de setores que veem cortes liberais de consumo como contrarregras ao pensamento econômico antigo.

Além disso, a demografia preocupa: a população registrou retração pela primeira vez desde a fome de 1959-61, em 2022, com queda contínua desde então. A queda da taxa de natalidade agrava a pressão sobre a força de trabalho.

Mesmo com esses entraves, a China permanece uma potência global. Mesmo com 3% a 4% de crescimento, o país pode transformar vidas, especialmente em áreas urbanas e em economias emergentes ligadas a cadeias de produção chinesas.

A leitura é de que as próximas décadas exigirão maior consumo interno, inovação e ajustes institucionais. A economia não retorna aos velhos ritmos, mas segue influente no cenário mundial.

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