- O Pix, sistema de pagamento instantâneo brasileiro, é de propriedade e operação públicas, com acesso obrigatório a instituições de maior porte e tarifas gratuitas para pessoas físicas. Em 2024, o UPI da Índia registrou 172 bilhões de transações no valor de US$ 2,7 trilhões.
- Índia e China seguem caminhos diferentes: o UPI é controlado por uma entidade sem fins lucrativos ligada ao banco central; na China, o ecossistema envolve plataformas privadas como Alipay e WeChat Pay, com controle estatal por meio de redes de compensação.
- Em países emergentes fora dos BRICS, a ênfase é criar sistemas públicos para inclusão financeira, como Spei no México, Raast no Paquistão, e redes africanas de pagamento geridas por bancos centrais ou câmaras de compensação.
- Nos países desenvolvidos, a adoção é mais lenta e diversificada: EUA (FedNow, 2023), Reino Unido (Faster Payments, criado em 2008), Europa (SCT Inst) e Japão (Zengin desde 1973) mostram infraestruturas diversificadas, com pouca participação direta de bancos centrais em algumas operações de varejo.
- Vantagem do Pix: adoção rápida e abrangente ao tornar o acesso gratuito e universal, removendo o poder de decisão dos bancos sobre participação; onde o mercado domina, a adoção tende a ser mais lenta e cara.
Dominante no Brasil, o Pix evoluiu para uma infraestrutura estratégica de pagamentos instantâneos, definindo quem paga taxas, quem acessa os serviços e quem fica fora do sistema. O estudo compara modelos globais de propriedade e operação, destacando escolhas públicas e privadas.
Em linhas gerais, a propriedade determina regras, interoperabilidade e taxas. Países emergentes tendem a modelos públicos para inclusão financeira, enquanto desenvolvidos apresentam maior mix de gestão privada e supervisão pública. A trajetória de cada mercado revela cenários distintos.
Na Índia, o UPI é operado pela NPCI, entidade sem fins lucrativos vinculada ao banco central. O Estado define regras, impede taxas ao usuário e mantém a interoperabilidade, enquanto empresas privadas cuidam dos aplicativos. Em 2024, foram 172 bilhões de transações no valor de 2,7 trilhões de dólares.
A China apresenta uma estrutura com quatro camadas, lideradas por plataformas privadas como Alipay e WeChat Pay, que respondem por cerca de 90% dos pagamentos digitais. O regulador mantém controle central por meio da NetsUnion, com participação de 37% do PBOC no capital.
Entre emergentes fora dos BRICS, bancos centrais costumam manter a propriedade para ampliar inclusão financeira. No México, o Spei é estatal desde 2004, com camadas adicionais como CoDi e DiMo. No Paquistão, o Raast é 100% público, desenvolvido com apoio internacional para distribuição de renda.
Na África, 31 países contam com 36 sistemas de pagamento instantâneo, na grande maioria criados por bancos centrais ou câmaras reguladas. Na Nigéria, o NPS resulta de parceria entre banco central e bancos comerciais, com foco em inclusão financeira para 38 milhões de adultos sem conta.
Nos países desenvolvidos, a adoção ocorreu mais lentamente por estruturas estabelecidas. O Reino Unido lançou o Faster Payments em 2008, os EUA só aderiram ao FedNow em 2023, e a Europa tornou obrigatória a oferta de pagamentos instantâneos com SCT Inst em 2024. O Japão mantém o Zengin desde 1973, mas o uso de dinheiro segue dominante.
A propriedade dos sistemas influencia custo, acesso e fiscalização. O Pix brasileiro, de governo e operado publicamente, exige participação de instituições com mais de 500 mil clientes e garante gratuidade a pessoas físicas, favorecendo adoção rápida frente a modelos privados.
Conclusões práticas indicam que a velocidade de adoção está ligada a decisões regulatórias que limitam o poder de venda de bancos e asseguram acesso gratuito ao consumidor. Em mercados com maior participação privada, a implementação tende a ser mais lenta e fragmentada.
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