- Nick Clegg afirma que empresas do Vale do Silício, incluindo a Meta, passaram a abraçar política Maga, muitas vezes por motivos “um pouco mais egoístas”.
- Ele, ex-chefe de assuntos globais da Meta, disse ao podcast The Rest is Money que decidiu sair em março de 2025, três meses após o início da segunda gestão de Donald Trump.
- Segundo Clegg, executivos que evitavam política passaram a se posicionar à direita e os produtos passaram a priorizar conteúdo algorítmico, em detrimento do foco em pessoas.
- O britânico criticou contratos entre o Reino Unido e a Palantir, dizendo ter reservas sobre a ideologia da empresa de espionagem e a dependência que poderia ser criada.
- Parlamentares britânicos destacaram a Palantir como exemplo de dependência pública de poucos grandes fornecedores de tecnologia e recomendaram terminar o contrato em 2027, conforme cláusula de rescisão.
Silicon Valley, incluindo a Meta, estaria se inclinando a adotar políticas associadas ao movimento Maga, afirmou o ex-vice-primeiro-ministro do Reino Unido, Nick Clegg. Em entrevista ao podcast The Rest is Money, ele disse ter observado uma mudança entre executivos que antes evitavam política, migrando para posições mais conservadoras por motivos que classificou como de interesse próprio. Clegg deixou a Meta em março de 2025, três meses após o início da segunda gestão de Donald Trump.
Segundo ele, as mudanças também se refletiram nos produtos da empresa, que teriam passado a priorizar conteúdo e recomendação algorítmica em vez de foco humano. Em sua visão, o eixo mudou de centrar-se no usuário para ampliar o alcance de conteúdos, com impacto na forma de atuação da companhia.
Palantir e contratos com o governo britânico
Clegg questionou ainda a renovação de contratos entre o Reino Unido e a Palantir, empresa de software dos EUA, apontando preocupações sobre a ideologia do fornecedor e a possibilidade de criação de dependência por meio de suas soluções. A discussão acontece num contexto de controvérsia sobre a presença da Palantir no setor público britânico. Um comitê parlamentar havia indicado que o uso da Palantir pelo governo é um ponto de vulnerabilidade e recomendou término do acordo em 2027, quando há uma cláusula de rescisão.
Reação e posição de Palantir
Em resposta, a Palantir destacou que suas ferramentas ajudam a melhorar o atendimento, citando ganhos como aumento no número de operações, redução de atrasos de alta hospitalar e maior agilidade no diagnóstico de câncer. A empresa ressaltou a criticidade de suas plataformas para o NHS e a ausência de alternativas globais com o mesmo alcance.
Contexto político e debates recentes
No dia seguinte à reportagem, o ex-secretário de Saúde Wes Streeting chamou executivos da Palantir de vilões em tom humorístico durante evento em Londres ligado à SXSW, ao mesmo tempo em que afirmou apoiar a gestão dos dados de saúde do país, sem sinalizar se o contrato deve encerrar. A Palantir UK destacou, por meio de nota, que seus sistemas foram usados por departamentos que já não utilizam a plataforma e que houve transferência de dados e propriedade intelectual de forma adequada para outros fornecedores.
Sobre a carreira de Clegg e o debate público
Clegg iniciou sua atuação na indústria de tecnologia em 2018, quando foi contratado pela Meta para atuar como lobista após a saída de seu predecessor. Durante sua passagem pela empresa, ele lidou com as consequências do escândalo Cambridge Analytica e criou um órgão para supervisionar decisões de moderação de conteúdo. O ex-funcionário também disse ter dirigido mudanças internas após a divulgação de controvérsias envolvendo a empresa e políticas de censura. Vale destacar que a Meta não respondeu ao pedido de comentário sobre o tema.
Entre na conversa da comunidade