- A EY divulgou o estudo Top 10 Riscos e Oportunidades no Agro 2026, com a percepção de cinquenta e duas lideranças do setor, divulgado em oito de junho.
- A principal novidade é a metodologia que mede, além da relevância dos riscos, o grau de preparo das empresas para enfrentá-los.
- Os temas mais relevantes incluem mudanças climáticas no topo do ranking, atração e retenção de pessoas, e geopolítica/comércio internacional.
- A transformação digital é um tema novo entre os dez, com impactos esperados na produtividade e na gestão de riscos, enquanto logística e regulações ganham destaque adicional.
- A EY projeta expansão no agronegócio com o Centro de Excelência para o Agronegócio, aquisição da MB Agro e expectativa de faturamento acima de US$ 100 milhões no próximo ano fiscal; também aponta potencial de ganhos com créditos de carbono em 2027.
O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário externo cada vez mais complexo, com mudanças climáticas, conflitos geopolíticos e novas exigências regulatórias. O estudo Top 10 Riscos e Oportunidades no Agro 2026, da EY, aponta como esses fatores afetam decisões de investimento, produção e expansão na cadeia produtiva.
A pesquisa ouviu 52 lideranças de empresas com faturamento entre R$ 3 bilhões e acima de R$ 60 bilhões, distribuídas entre fornecedores de insumos, produtores, agroindústrias, tradings e compradores de commodities. Foi divulgado nesta segunda-feira pela EY.
A principal novidade é a metodologia: além de medir o impacto, o estudo avalia o grau de preparação das empresas para enfrentar cada tema, destacando as lacunas entre risco e resposta.
O que está no radar
Entre os temas mais relevantes, o top 1 é mudanças climáticas, com impacto alto ou muito alto segundo a maioria dos participantes. Secas, enchentes e eventos extremos afetam produção, seguro, crédito e logística, ampliando a demanda por resiliência.
Atração, desenvolvimento e retenção de pessoas saltaram para a segunda posição, refletindo a necessidade de profissionais qualificados em tecnologia, dados, automação e gestão de sucessão familiar.
Geopolítica e comércio internacional estreou entre os três principais riscos, com impactos sobre custos de insumos e margens. Conflitos, restrições logísticas e dependência de insumos importados foram destacados como fatores relevantes.
Reguladores, crédito e tecnologia
As políticas públicas e regulações aparecem em quarto lugar, com a reforma tributária e novas exigências ambientais influenciando a competitividade. Empresas devem se adaptar a mudanças na apuração de tributos e nas cadeias produtivas.
A transformação digital é a quinta prioridade. IA, automação, sensores e drones redefinem produção e gestão de riscos, ainda que muitos deem passo inicial na maturidade para extrair ganhos de produtividade a partir de dados.
Mercados, custo e logística
Gestão de riscos financeiros e volatilidade de commodities ocupa a sexta posição. Crédito mais seletivo e maiores exigências de governança elevam a necessidade de planejamento financeiro.
Eficiência na gestão de ativos, produtividade e controle de custos aparecem na sequência, com foco em reduzir custos de fertilizantes, energia, logística e capital, diante de choques globais.
Logística, infraestrutura, armazenagem e distribuição fecham o conjunto de temas com impactos sobre capacidade de estocagem e custos de transporte, fatores que afetam competitividade regional.
Ética, capital e futuro
Questões de ética, compliance e governança ESG ganham relevância, incorporando rastreabilidade, combate ao desmatamento e monitoramento de fornecedores. As empresas devem responder rapidamente a riscos socioambientais.
Por fim, a estratégia de crescimento e acesso a capital sintetiza o desafio de obtenção de financiamento em um ambiente mais caro e governado por critérios de risco e transparência.
O que muda para 2027
Para 2027, a EY aponta o mercado de carbono como tema de destaque, com potencial de geração de receitas a partir de créditos de carbono e biocombustíveis. A agenda ambiental ganha protagonismo como vantagem competitiva.
Investidores e compradores globais passam a valorizar rastreabilidade e sustentabilidade como ativos de receita, não apenas de conformidade. A resiliência da cadeia de suprimentos também é fortemente enfatizada.
Aposta da EY no agro
A EY mantém o foco no setor com o Centro de Excelência para o Agronegócio, que projeta faturamento superior a US$ 100 milhões no próximo ano fiscal. A atuação inclui aquisições, soluções especializadas e presença institucional junto a entidades do setor.
A consultoria amplia atuação regionalmente, buscando proximidade com cooperativas, produtores e agroindústrias em estados como Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul, além de missões internacionais.
A compra da MB Agro reforça a oferta de inteligência econômica, planejamento estratégico, gestão de riscos e sustentabilidade, ampliando a capacidade de atender toda a cadeia agroindustrial.
Conclusão operacional
Segundo Otavio Lopes, sócio-líder de agronegócio da EY, a velocidade de resposta a choques passa a definir lucratividade. A metodologia atualizada do estudo mede o preparo das organizações, evidenciando a importância de agir rapidamente diante de eventos inesperados.
A pesquisa reforça a visão de que o futuro do agro não depende apenas de produzir mais, mas de antever riscos, adaptar estratégias e transformar incertezas em vantagem competitiva.
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