- A China reconheceu o Brasil como território livre de febre aftosa sem vacinação, suspendendo a proibição no norte e estendendo o status a todo o território; o anúncio ocorreu durante o 5º Diálogo Estratégico Global Brasil-China, com presença do ministro Mauro Vieira.
- O reconhecimento abre espaço para exportações de carnes brasileiras para a China, incluindo cortes de maior valor. Em 2025, as exportações de carnes para China, incluindo Hong Kong, somaram 2,417 milhões de toneladas e US$ 10,764 bilhões.
- Por proteína, carne bovina somou 1,747 milhão de toneladas e US$ 9,199 bilhões; frango atingiu 326,6 mil toneladas e US$ 716,4 milhões; carne suína totalizou 270 mil toneladas e US$ 626,6 milhões, com embargo ao frango rompido em novembro após foco de influenza aviária em Montenegro, RS.
- Em fevereiro deste ano, a China já havia classificado o Brasil como risco negligenciável para encefalopatia espongiforme bovina, facilitando negociações para ampliar importações de proteína animal. Também houve contrapartida à salvaguarda de 2026 que limitava a cota de importação de carne bovina sem tarifa adicional.
- Com esses reconhecimentos, o Brasil passa a competir em condições sanitárias mais iguais para carne com osso, miúdos suínos e bovinos, fortalecendo o acesso a mercados que já recebiam concorrentes como Argentina e Austrália, e ampliando o portfólio de exportação.
O governo da China reconheceu o Brasil como território livre de febre aftosa sem vacinação, encerrando mais de 20 anos de negociações bilaterais. O anúncio foi feito pela GACC e pelo Mara nesta terça-feira, durante o 5º Diálogo Estratégico Global Brasil-China, com a participação do ministro Mauro Vieira.
A partir de hoje, a China suspende a proibição sobre todo o território brasileiro. O acordo vem após o Brasil obter o status de livre da doença sem vacinação pela OMSA em 2025 e reforça a cooperação entre os dois países na área sanitária e comercial.
Em 2025, as exportações brasileiras de carnes para a China, incluindo Hong Kong, chegaram a 2,417 milhões de toneladas, com receita de US$ 10,764 bilhões. A carne bovina respondeu pela maior parte desse total, seguido por frango e carne suína.
O anúncio ocorre em um momento de ajuste de blocos comerciais: a China havia imposto uma cota de 1,1 milhão de toneladas para importações sem tarifa adicional, menor que o volume de 2025. O reconhecimento sanitário brasileiro serve como contrapartida e amplia o portfólio no mercado chinês.
Panorama histórico
Desde 1895, o Brasil enfrentou surtos que moldaram políticas de defesa sanitária. Em 1951, foi criado o Panaftosa para coordenar esforços regionais. A partir de 1960, houve vacinação sistemática, que perdurou por décadas até a retirada gradual iniciada em 2017.
Implicações para o comércio
Com o novo status sanitário, frigoríficos brasileiros poderão competir em condições sanitárias equivalentes, ampliando a oferta de cortes e produtos de maior valor agregado. Países como Argentina e Austrália já atuavam nesses segmentos com menos barreiras.
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