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Estudo aponta fila de 3,2 milhões no Bolsa Família por falta de orçamento

CNM: fila de 3,2 milhões no Bolsa Família resulta de orçamento insuficiente, aumentando risco de desproteção social e insegurança alimentar

Cartão do programa Bolsa Família
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  • Cerca de 2 milhões de famílias, equivalentes a 3,2 milhões de pessoas, estão na fila de espera do Bolsa Família, segundo estudo da CNM divulgado em 19 de maio; essas pessoas atendem aos critérios de renda e vulnerabilidade, mas ficam de fora por falta de orçamento.
  • Em maio, as famílias cadastradas receberam em média R$ 690 por mês; o orçamento de 2026 é de R$ 157,5 bilhões, o menor dos quatro anos do governo Lula.
  • O estudo aponta que, para absorver toda a demanda pré-habilitada, o orçamento necessário seria de R$ 174 bilhões (diferença de R$ 16,5 bilhões).
  • A CNM afirma que a redução no total de beneficiários não indica melhora social, e sim “exclusão forçada” por falta de recursos, com risco à proteção social.
  • Os estados com maior fila são Rio de Janeiro e São Paulo, responsáveis por 35% da demanda reprimida; o estudo também aponta queda de repasses do governo aos municípios, afetando os CRAS.

Cerca de 2 milhões de famílias, correspondendo a 3,2 milhões de pessoas, aguardam atendimento no Bolsa Família. O dado consta de estudo da CNM apresentado em 19 de maio, com microdados de fevereiro. Mesmo atendendo aos critérios de renda e vulnerabilidade, estão sem orçamento para ingresso.

O levantamento aponta que, em maio, 19 milhões de famílias recebiam benefício, com média de R$ 690. O orçamento para 2026 é de R$ 157,5 bilhões, o menor entre os quatro anos do governo Lula.

O estudo afirma que a demanda reprimida ocorre porque a entrada de novas famílias não acompanha a saída de beneficiários, voluntários ou por descumprimento das regras. A fila, dizem, não representa melhoria social.

A CNM alerta que, para absorver toda a demanda pré-habilitada, o orçamento de 2026 deveria chegar a R$ 174 bilhões, isto é, R$ 16,5 bilhões acima do previsto. A ausência de investimento agrava a desigualdade.

Segundo a entidade, a redução do número total de beneficiários de 21,1 milhões em maio de 2023 para 19 milhões em maio de 2026 não revela avanço social, mas exclusão por falta de recursos. Milhões podem ficar desprotegidos.

Entre os motivos para a redução, o Ministério do Desenvolvimento Social cita desligamento voluntário, renda acima do limite, falta de atualização cadastral, descumprimento de condicionalidades e informações falsas ou omissão de dados.

Panorama por estado

A CNM aponta que Rio de Janeiro e São Paulo concentram 35% da demanda reprimida. Outros estados aparecem na lista conforme o volume de famílias na fila.

Verba para atendimento nos municípios caiu

O estudo registra queda no repasse federaldo aos municípios via Suas. Em 2024, o IGD passou de 4 para 3,25 per capita; em 2025 houve leve reajuste para 3,35. A CNM sustenta que isso compromete CRAS, responsáveis pelo atendimento inicial.

O que diz o governo

O Ministério do Desenvolvimento Social não respondeu até o fechamento desta edição. Em nota anterior, o MDS afirmou que não há prazo fixo para inclusão após a pré-habilitação e que o ingresso ocorre conforme disponibilidade orçamentária e volume de cadastros. Os fluxos são monitorados mensalmente para regularidade e ampliação da cobertura, dentro das regras fiscais.

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