- Tatiana Schuchovsky Reichmann, 48 anos, comanda a Ademicon e mira levar o agro a quarenta por cento dos negócios da empresa em três anos.
- A Ademicon faturou cerca de um bilhão de reais no ano passado e vendeu quarenta e sete bilhões de reais em créditos em 2025, quase o triplo de 2024.
- O agronegócio respondeu por dezessete por cento dos créditos em 2025, equivalente a cerca de oito bilhões de reais; no primeiro trimestre de 2026 chegou a dezenove por cento, com três bilhões e quatrocentos milhões de reais.
- A meta é chegar a vinte e dois por cento ainda neste ano, movimentando aproximadamente catorze bilhões de reais; em 2027, a participação deve chegar a vinte e cinco por cento.
- A Ademicon criou uma frente dedicada ao agro, ampliou a presença em feiras do setor e tem planos de chegar a quatrocentas e cinquenta unidades de negócio e vinte e quatro mil consultores nos próximos três anos.
Tatiana Schuchovsky Reichmann, 48, une três fases distintas de uma trajetória inusitada: de professora de sapateado aos 13 anos a executiva à frente de uma das maiores administradoras independentes de consórcios do Brasil. A meta é ampliar a participação do agronegócio nos negócios da Ademicon para 40% nos próximos três anos.
A Ademicon nasceu em Curitiba há três décadas, originalmente voltada ao crédito imobiliário via consórcios. Sob a liderança de Tatiana, a empresa acelera a expansão no agro, em meio a retração do crédito tradicional, juros mais altos e maior demanda por planejamento financeiro no campo.
Sob o comando da executiva, que completa 30 anos de casa em 2026, a Ademicon registrou R$ 47 bilhões em créditos comercializados em 2025, salto de 73% frente a 2024, quando foram R$ 27,3 bilhões. A expectativa é chegar a R$ 70 bilhões em 2026.
No primeiro trimestre deste ano, a empresa vendeu R$ 17,9 bilhões em créditos, alta de 90% em relação ao mesmo período de 2025. Em março, houve recorde mensal com R$ 6,8 bilhões em vendas.
Do imóvel ao agro
O consórcio deixou de ser apenas ferramenta para comprar imóveis. Segundo Tatiana, o produto ganhou função de planejamento patrimonial e o agronegócio passou a ser uma porta principal para esse papel.
Dados da ABAC indicam que o mercado de consórcios movimentou R$ 500,3 bilhões em 2025, com aumento de 32,1% ante 2024. Bancos como Itaú, Bradesco e BB, além de administradoras independentes, atuam no setor, com participação significativa do agro.
A Ademicon atua no financiamento de maquinário, pivôs de irrigação, silos, drones e benfeitorias rurais. A executiva destaca a venda de 20 a 30 drones de grande porte por mês, negócio ainda recente na carteira da empresa.
Plano de expansão no agro
Em 2025, o agronegócio representou 17% dos créditos da Ademicon (R$ 8 bilhões). No primeiro trimestre de 2026, subiu para 19% (R$ 3,4 bilhões). A empresa projeta chegar a 22% ainda neste ano, com cerca de R$ 14 bilhões em créditos, e 25% em 2027.
Tatiana afirma que o setor de serviços permanece como o mais forte, com 45%, mas o peso do agronegócio aumenta o ritmo de crescimento da empresa.
Para sustentar o avanço, a Ademicon criou uma frente exclusiva para o agro, ampliou a presença em feiras da indústria e treinou consultores especializados. A primeira feira com marca própria ocorreu na Show Rural Coopavel, há quatro anos, e revelou a demanda por crédito no produtor.
A rede de atuação já soma 300 unidades em 24 estados e no Distrito Federal, com lojas em Miami e Orlando. O plano é chegar a 450 unidades e 24 mil consultores nos próximos três anos.
Raízes familiares e governança
A relação com o agronegócio começou há mais de três décadas, quando a New Holland indicou o consórcio como alternativa à aquisição de máquinas agrícolas. Atualmente, 19% dos clientes da Ademicon atuam no setor.
A história da executiva acompanha a transformação da empresa. Filha de um dos sócios da antiga Ademi-Lara, Tatiana viu a firma sair do regional para o âmbito nacional. Em 2020, a Treecorp Investimentos entrou na estrutura; em 2023, o GIC, fundo soberano de Singapura, passou a integrar o quadro societário.
A família Reichmann mantém 70% do controle. Segundo Tatiana, a entrada de fundos elevou a governança, auditoria, cibersegurança e processos, sem dependência de estoque, já que o ativo principal são pessoas.
Planejamento como diferencial
Para Tatiana, o avanço do consórcio no agro depende de uma mudança cultural entre produtores rurais, com maior adesão ao planejamento. Ela ressalta que as taxas de administração da Ademicon ficam em torno de 1,5% ao ano em planos de longo prazo, diferentes de juros elevados em operações privadas.
O modelo ainda oferece proteção à inadimplência por meio de garantias reais e cooperação entre os membros dos grupos. A executiva enfatiza que o consórcio funciona como mobilização coletiva para viabilizar investimentos sem juros abusivos.
Ao falar de sua trajetória, Tatiana aponta o papel central do planejamento financeiro na transformação do bolso do produtor. Ela observa que o consórcio deixou de ser apenas produto financeiro e passou a compor a estratégia de investimento de famílias e empresas.
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