- Stuart Machin, presidente-executivo da Marks & Spencer, classificou a proposta governamental de usar pisos de preço voluntários para itens essenciais como “completamente absurda”.
- Ele pediu ao governo que reduza encargos tributários e regulatórios, em vez de gerir negócios diretamente, alegando que há muito controle governamental.
- Machin disse que as varejistas enfrentam três ventos contrários: maior tributação, maior carga regulatória e conflitos globais, e que o governo poderia aliviar parte dessa pressão.
- Os custos adicionais incluem uma nova taxa de embalagem de 40 milhões de libras a partir de abril, mais até 10 milhões neste ano e até 50 milhões de libras por mudanças na seguridade social, com impacto potencial de até 100 milhões de libras se incluídas despesas de fornecedores.
- A empresa planeja investir em tecnologia, 18 novas lojas de alimentos e centros de distribuição automatizados, buscando manter o crescimento apesar dos recentes impactos de ataques cibernéticos e da inflação.
Stuart Machin, CEO da Marks & Spencer, chamou de completamente absurda a proposta governamental de estabelecer tetos voluntários de preços para itens alimentares básicos. A firme posição ocorreu após interlocutores do governo sugerirem aos supermercados que mantenham versões de itens como pão, leite e manteiga a preços baixos, em troca de flexibilizações regulatórias.
Machin afirmou que a empresa já opera com margens estreitas em itens como leite, pão e feijão enlatado, e que ovos e açúcar costumam render lucros reduzidos. Em entrevista, o executivo disse que o governo não deve comandar negócios e pediu redução de encargos fiscais e regulatórios para o setor.
Contexto econômico e custos regulatórios
A companhia trabalha sob pressão de custos, com novos encargos estimados em tensões de até £40 milhões a partir de abril, incluindo uma nova taxa de embalagem, além de possíveis acréscimos de £10 milhões neste ano e até £50 milhões a mais com mudanças na contribuição do seguro social. Esses valores impactam pagamento de impostos e contratação.
Machin destacou que o cenário também inclui custos provocados por conflitos regionais, que já elevam despesas com fornecedores em alguns milhões de libras, ainda que a rede tenha conseguido absorver parte desse impacto. O executivo informou que a empresa planeja reduzir custos para mitigar efeitos.
Desempenho financeiro e planos de investimento
A empresa divulgou resultados com lucro líquido subindo menos de 1% e vendas pouco acima do esperado, sob efeito de inflação elevada. Lucro subjacente recuou quase 24% no último ano fiscal, impactado por custos de cyberataque que derrubaram parte dos ganhos.
Machin aponta que o próximo ano é crítico para a estratégia de crescimento, com investimentos em tecnologia, expansão de 18 lojas de alimentos e automação de centros de distribuição. A expansão inclui uso de inteligência artificial para marketing e sourcing de produtos.
Perspectivas e posição no mercado
O presidente do conselho, Archie Norman, afirmou que é hora de acelerar a recuperação de disponibilidade de produtos após a crise cibernética, com novas linhas que têm recebido boa aceitação. A empresa também ampliou a participação no online, atingindo patamar recorde de £1 bilhão em vendas via Ocado, o que contribuiu para retorno operacional da parceria.
Analistas destacam que as previsões de lucro para o próximo exercício permanecem abaixo de expectativas, diante de custos contínuos com frete, combustíveis e tributos. A rede manteve projeção de crescimento com foco em eficiência logística e inovação.
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