- Copa do Mundo de 2026, feriados emendados e eleições comprimem o calendário corporativo no Brasil, elevando custos de hotéis e voos.
- Tarifas aéreas domésticas aumentaram mais de 30% na base anual desde o início da guerra no Irã, pressionando orçamentos de viagens.
- O principal impacto é competitivo: eventos grandes disputam as mesmas datas de reuniões e deslocamentos, dificultando a agenda de executivos.
- Em 2025, o setor de viagens corporativas faturou R$ 147,8 bilhões, com crescimento de 6,3%; para 2026, a projeção inicial era de 7%, mas o calendário apertado pode frear esse desempenho.
- Empresas adotam estratégias para reduzir custos, como ampliar estadias, acumular objetivos numa única viagem e investir em plataformas de gestão com IA, buscando o modelo Travel as a Service (TaaS).
A Copa do Mundo de 2026, feriados emendados e eleições no segundo semestre criam um calendário corporativo comprimido no Brasil. Planos de eventos, reuniões e deslocamentos de executivos disputam as mesmas datas, elevando o custo de hotéis e voos nos dias disponíveis. A situação é descrita como uma “guerra por agendas” por quem gerencia viagens empresariais.
Dados de 2025 mostram forte demanda do setor: mais de 6 milhões de trechos aéreos e 3 milhões de hospedagens. Com o acúmulo de Copa, feriados e eleições, especialistas projetam retração de viagens corporativas até o fim do primeiro semestre de 2026, para recompor orçamento.
Segundo a prática observada, o aumento de custos tem sido mais perceptível em rotas nacionais, principalmente entre São Paulo e Rio de Janeiro, com tarifas elevadas e menor oferta de voos. O impacto se estende a outras cidades-chave e às estadias em capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Brasília.
Custo e elasticidade da demanda
Tarifas aéreas domésticas sobem acima de 30% na base anual desde o início da guerra no Irã, segundo monitor do J.P. Morgan. Aline Bueno, CEO da Argo Solutions, aponta que feriados em dias de semana elevam o preço das passagens, agravando o desafio orçamentário das empresas.
Estudo da VExpenses, que cobre dezenas de milhões de transações, identifica que setores com maior demanda de viagens corporativas registram tarifas superiores em rotas de maior movimento. Semana de grandes shows também evidencia queda de compra de passagens para destinos como Rio de Janeiro.
Estratégias de mitigação
Empresas vêm adotando mudanças estruturais, entre elas prolongar estadias para acumular objetivos em uma única viagem. Aline Bueno afirma que o período de permanência subiu para quase três noites, buscando reduzir o custo por tarefa realizada.
Para enfrentar a menor disponibilidade de voos, companhias adotam políticas de planejamento antecipado e maior integração entre bilhetes e hotéis, com foco em eficiência. A Argo investe R$ 80 milhões em uma plataforma de IA para sugerir rotas e otimizar o orçamento.
Inovação e resultados esperados
A ferramenta, voltada ao conceito Travel as a Service, objetiva consolidar pedidos fragmentados em uma gestão integrada de viagens. A meta para o ano fiscal é alcançar faturamento de cerca de R$ 60 milhões com o novo recurso, ampliando a capacidade de lidar com um calendário restrito e custos elevados.
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