- A Estrela pediu recuperação judicial em Três Pontas (MG). O passivo é de R$ 109,2 milhões, com 92,47% sem garantia real (quirografário).
- O American Bank é o maior credor financeiro individual, com R$ 9,9 milhões; Santander aparece com cerca de R$ 1,2 milhão e o Banco do Brasil com valores menores em tarifas. A maior parte das dívidas está em FIDCs e fatorings.
- O grupo é composto por oito empresas, tratadas como devedor único, entre elas Brinquemolde Licenciamento, Estrela Distribuidora e JM Plásticos, buscando uma solução global.
- A defesa pediu duas liminares: manter fornecimentos essenciais (energia, água, internet, logística) e não acelerar vencimentos de contratos, sob multa de R$ 50 mil por dia.
- O cenário também destaca concorrência externa, com aumentos de importações e atuação de pirataria; prazo para apresentar o plano de reestruturação é de 60 dias a partir do aceite pela Justiça, com eventual nomeação de administrador judicial e assembleia de credores.
A fabricante de brinquedos Estrela pediu recuperação judicial, apresentada à 1ª Vara Cível de Três Pontas (MG). A ação revela uma estrutura de endividamento pulverizada entre FIDCs, *factorings* e credores financeiros, com estratégia para evitar bloqueios e interrupções durante a reestruturação.
O passivo totaliza R$ 109,2 milhões, sendo 92,47% quirografário, ou seja, sem garantia real. A dívida trabalhista é de R$ 3,2 milhões. A petição sustenta que a crise não decorre da operação, mas de “severo endividamento bancário” por taxas elevadas.
Quem são os credores
O Santander tem participação modesta, com cerca de R$ 1,2 milhão em operações cruzadas. O Banco do Brasil aponta valores pequenos em tarifas pendentes, de R$ 25,3 mil. O American Bank (antigo Aspen) figura como maior credor financeiro individual, com R$ 9,9 milhões.
A maior parte do crédito está distribuída entre FIDCs e *factorings*. O Ignis Capital aparece como o nome mais frequente, com várias cédulas de crédito. Também aparecem Ativa, GFM, B. Invest, BFC, Mariotoni e Innovate, com a Brinquemolde Licenciamento como tomadora principal. Não houve resposta imediata das empresas citadas.
Por que Três Pontas
A recuperação foi protocolada em Três Pontas (MG) em vez de São Paulo, onde fica a sede, por uma *factoring* ter entrado com ação de falência contra a Brinquemolde, subsidiária, em MG. A petição busca tratamento único para as oito empresas do grupo.
Entre elas estão Catu Cosméticos, Editora Estrela Cultural, JM Plásticos, Estrela Distribuidora, Brinquemolde Licenciamento, Manufatura de Brinquedos Estrela, Starcom do Nordeste e Starcom. A defesa sustenta que a estrutura societária foi criada para “sinergia administrativa”.
O que esperar
As petições solicitam duas liminares: evitar corte de serviços essenciais por débitos, como luz e internet, e impedir que bancos acelerem vencimentos sob multa diária de R$ 50 mil. A comparação com o caso Americanas é citada para registrar preocupação com bloqueios.
Situação de mercado e concorrência
A petição aponta aumento de importações formais de brinquedos, com US$ 53,3 milhões em 2020 para US$ 102,5 milhões no primeiro quadrimestre de 2026, grande parte vindo da China. Também menciona pirataria, com operação da PF e Receita no Porto do Rio estimando movimento de R$ 86,6 bilhões entre 2021 e 2026.
A Estrela tem buscado reagir, incluindo venda em marketplaces e relançamento de ícones como Falcon, Pogobol e Autorama para o público adulto nostálgico. Parcerias com marcas, como a Reserva e Giraffas, foram adotadas para ampliar o alcance.
A empresa empregava mais de 10 mil pessoas no auge e hoje mantém cerca de 500 empregos diretos. O prazo para apresentar o plano de recuperação é de 60 dias a partir do aceite pela Justiça, que ainda não ocorreu.
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