- Powell deixará o cargo neste mês; foi visto como servidor público exemplar e manteve a independência do Federal Reserve.
- A inflação está em quase quatro por cento e supera a meta de dois por cento desde 2021, com responsabilidade atribuída à política monetária em parte.
- Críticos dizem que o Fed manteve juros baixos por tempo excessivo após a pandemia; a estrutura FAIT (Meta de Inflação Média Flexível) foi instituída em 2020.
- Em 2022, a inflação permaneceu elevada, superando oito por cento, enquanto a taxa de juros ainda estava abaixo de dois por cento, levando a mudanças de estratégia.
- Debate sobre o gráfico de pontos e o forward guidance aponta necessidade de reformulação para maior clareza e flexibilidade na política, com mudanças que o novo presidente deverá enfrentar.
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, deixará o cargo neste mês após um mandato marcado por uma gestão considerada exemplar por defesa da independência do banco.
O texto aponta que Powell enfrentou pressão política da Casa Branca e, ao menor sinal de conflito, respondeu com firmeza, mantendo a autonomia institucional do Fed. A avaliação é de que, por ora, a independência permanece, ainda que sua continuidade não seja garantida.
Segundo a análise, o histórico de política monetária americana não é irrefutável: a inflação chega perto de 4% e fica acima da meta de 2% desde 2021, o que é visto como o pior desvio em quatro décadas. A autoria atribui parte da responsabilidade a choques externos.
Entre as críticas centrais está a percepção de que o Fed tratou o pico da inflação pós-pandemia como transitório, mantendo juros baixos por muito tempo. A taxa de juros foi zerada no início da pandemia e permaneceu nesse nível por quase dois anos, mesmo com recuperação econômica.
Em meados de 2022, a inflação ultrapassou 8%, enquanto a taxa básica de juros seguia abaixo de 2%. Com a inflação pressionando a economia, o debate se concentrou na demora para elevar os juros e na extensão dos estímulos.
A matéria lembra ainda que choques de oferta, guerra na Ucrânia e tensões em outras frentes ajudaram a manter a inflação elevada. A responsabilidade pela política monetária, segundo a visão apresentada, envolve decisões diante de grande incerteza.
O texto descreve que o Fed adotou um viés de não aumentar rapidamente as taxas, com justificativas para evitar frear a recuperação. A crítica sustenta que esse viés acabou por manter um desequilíbrio entre inflação e metas.
Outra âncora é a estrutura FAIT (Flexible Average Inflation Targeting), criada em 2020 para manter inflação acima de 2% quando necessário. A leitura sustenta que, sem clarificar compensações, o efeito sugere estímulo adicional via forward guidance.
Em 2023, o Fed revisou a estrutura, enfatizando equilíbrio e removendo termos de deficiências no mercado de trabalho. Mesmo assim, a análise aponta que a reforma não foi suficientemente explícita sobre o papel do forward guidance.
O artigo questiona o uso do gráfico de pontos para indicar trajetórias de juros e defende maior transparência, com cenários e previsões baseadas em expectativas de mercado. O objetivo seria melhorar a comunicação e a adaptabilidade da política.
Por fim, aponta que o próximo líder poderá enfrentar dilemas com o Tesouro, o balanço do Fed e a supervisão de reservas, além da eventual pressão política. O texto recomenda foco na independência e na clareza da comunicação.
Fonte: Bloomberg Opinion. Clive Crook, colunista, atua como comentarista com visão econômica e financeira.
Entre na conversa da comunidade