- O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, grupo de 17 elementos químicos essenciais à tecnologia, que não são, de fato, terras nem raras.
- Esses elementos são usados em motores de veículos elétricos, celulares, turbinas eólicas e outros equipamentos de alta performance, funcionando como “vitaminas” da indústria.
- O desafio brasileiro é processar as terras raras: o país ainda não domina a tecnologia de refino e exporta matéria-prima, dependente de drones e da China para o processamento.
- A China concentra o refino e a maior parte da cadeia de valor; os EUA buscam parceiros como o Brasil para reduzir dependência, o que intensifica a disputa geopolítica.
- A Câmara aprovou a Política Nacional para a Exploração de Minerais Críticos, prevendo um fundo de até R$ 5 bilhões para incentivar transformação no Brasil, com exigência de transferência de tecnologia em parcerias.
O Brasil abriga a segunda maior reserva mundial de terras raras, um grupo de 17 elementos químicos usados em dispositivos de alta tecnologia. Apesar da importância estratégica, o país ainda não domina o processamento industrial dessas matérias-primas. A ideia é mudar esse cenário com investimentos e parcerias.
Especialistas descrevem as terras raras como “vitaminas da indústria tecnológica” pela necessidade de pequenas quantidades para alto desempenho. Neodímio, praseodímio e disprósio são exemplos comuns em motores de carros elétricos, celulares e turbinas eólicas.
O avanço tecnológico e a demanda por energia limpa colocam o Brasil no centro de uma disputa geopolítica. A China domina o refino, enquanto EUA buscam fornecedores alternativos, com o Brasil entre os possíveis parceiros.
Cenário atual e o que está em jogo
O Brasil possui concentração geológica favorável, associando magma antigo, clima tropical e intemperismo ao longo de milhões de anos. A região de Araxá-Catalão, em Minas Gerais, é destacada como área com jazidas de terras raras pesadas fora da China.
Apesar da riqueza de recursos, o desafio é tecnológico: o Brasil tem minério, mas não indústria de processamento suficiente para transformar rocha em componentes. A transferência de tecnologia é vista como condição para parcerias.
A guerra fria das terras raras envolve uma dependência global da China para refino. Os EUA tentam diversificar fornecedores, com o Brasil como candidato importante para reduzir vulnerabilidades em chips, defesa e energia.
Avanços e medidas públicas
O governo brasileiro avalia o desenho de políticas para explorar o potencial. Em âmbito legislativo, a Câmara aprovou uma Política Nacional para a Exploração de Minerais Críticos, com criação de fundo de até R$ 5 bilhões para incentivar tecnologia de transformação no país.
A ideia é promover parcerias que incluam transferência de tecnologia, buscando reduzir a exportação de minério bruto. Enquanto isso, as negociações entre Lula e Trump, ocorridas em Washington, destacaram a importância de acordos que valorizem o processamento local.
Em síntese, o Brasil detém recursos consideráveis, mas a prioridade é desenvolver a indústria de processamento e soluções nacionais, para ampliar soberania tecnológica e reduzir dependências internacionais.
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