- O presidente executivo da Nissan disse que a empresa avaliaria fabricar carros para outros fabricantes na fábrica de Sunderland, no nordeste da Inglaterra, que emprega cerca de 6 mil trabalhadores.
- A ideia surge enquanto a Nissan fechou uma das duas linhas de produção em Sunderland devido à queda de demanda.
- A empresa tem conversado para produzir veículos para a chinesa Chery, além de manter diálogos com outros parceiros para compartilhar espaço de fábrica.
- Diversas montadoras europeias discutem uso de plantas com fabricantes chineses para reduzir custos, com a Stellantis anunciando produção para Leapmotor em Madrid e Zaragoza.
- A Nissan reportou prejuízo líquido de ¥533 bilhões no último ano fiscal, com queda de quase 12% no lucro operacional; houve fusão de linhas e cortes de cerca de 900 empregos na Europa, incluindo algumas funções no Reino Unido.
Nissan avalia fabricar veículos para terceiros na fábrica de Sunderland, no Reino Unido, a maior do grupo no país, enquanto mantém conversas com a chinesa Chery. A confirmação ocorreu no contexto de perdas expressivas no ano fiscal encerrado em março e da recente decisão de encerrar uma das duas linhas de produção na planta no nordeste da Inglaterra. A ideia seria aumentar o volume para justificar a operação.
O CEO Ivan Espinosa informou que a fábrica está operando com viabilidade, mas sofre com o baixo volume de produção. Em busca de soluções, a companhia analisa opções para atrair mais encomendas de terceiros, sem anunciar parceiros específicos neste momento.
Na Europa, outras montadoras também discutem uso de espaço fabril com fabricantes chineses. A Ford, por exemplo, teria conversado com Geely sobre venda de parte de uma planta na Espanha. A Stellantis, dona de Fiat, Peugeot e Vauxhall, anunciou produção para Leapmotor em fábricas na Espanha e na Espanha.
Situação financeira e reorganização
A Nissan divulgou perda líquida de ¥533 bilhões no último ano fiscal, com queda de quase 12% no lucro operacional, que somou ¥58 bilhões. A empresa projeta recuperação para o próximo ano, estimando lucro operacional de ¥200 bilhões, conforme divulgação de resultados.
A decisão de reduzir linhas em Sunderland coincidiu com planos de reestruturação na Europa, que também preveem o fechamento de postos de trabalho e ajustes operacionais. A montadora afirmou que buscará manter a capacidade produtiva da planta para condições futuras.
Perspectivas e contexto de mercado
Especialistas apontam que o cenário europeu atrai acordos com fabricantes chineses para mitigar custos. A BYD, maior produtora de veículos elétricos, negocia com Stellantis e outras montadoras para possível aproveitamento de fábricas subutilizadas, segundo declarações de executivos à imprensa.
A indústria europeia acompanha o movimento de colaboração com parceiros externos, com foco em preservar capacidades fabris diante de demanda fraca e pressão competitiva. A Nissan já indicou interesse em explorar tais opções para manter sua atuação na região.
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