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Renda sobe, consumo fica atrás; Itaú explica o descolamento

Itaú aponta descolamento entre renda disponível e consumo, com crédito mais restrito freando o consumo; previsão é de crescimento abaixo da renda em 2026

Renda bruta disponível cresceu 4,7% no Brasil em 2025, mas o consumo avançou apenas 1,3%. (Foto: Maira Erlich/Bloomberg)
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  • Em 2025, a renda bruta disponível avançou 4,7%, enquanto o consumo subiu 1,3%, um dos maiores descolamentos já registrados.
  • A projeção para 2026 é de crescimento do consumo em 1,4% ante uma renda disponível prevista em 3,6%.
  • O crédito para pessoas físicas tem sido o principal canal do descolamento: o crédito Core PF (consignado, pessoal não consignado e veículos) cresceu 1,8% em 2025, com alta forte no consignado privado (168,9%) e queda na atividade de veículos (0,6%).
  • O peso da dívida no orçamento das famílias também aumenta, com o comprometimento da renda atingindo 29,7% em fevereiro de 2026; excluindo o parcelamento sem juros no cartão, o indicador fica em cerca de 20%.
  • O Itaú considera que, mesmo com a renda em alta, o consumo tende a crescer abaixo da renda em 2026, devido a condições de crédito mais restritas e a juros ainda elevados, com perspectiva de queda gradual de juros no curto/médio prazo.

O consumo das famílias brasileiras continua pressionado, mesmo com avanço da renda. O estudo da equipe de pesquisa econômica do Itaú aponta que a renda bruta disponível de 2025 subiu 4,7%, enquanto o consumo aumentou apenas 1,3%.

Segundo o Itaú, esse deslocamento entre renda e consumo fica entre os maiores já registrados. A relação histórica é de que o consumo acompanha cerca de 70% da renda, o que não ocorreu plenamente no último ano.

Para 2026, a projeção é de uma expansão modesta do consumo, em torno de 1,4%, frente a uma renda disponível estimada em 3,6%. Economistas ressaltam fatores que limitam o consumo mesmo com renda elevada.

Crédito e custo financeiro

O banco aponta que o crédito é o principal canal da restrição ao consumo. Concessões a pessoas físicas caíram de 20,6% em 2024 para 1,8% em 2025, no que chama de crédito Core PF.

Entre produtos, o crédito consignado privado teve alta expressiva de 168,9% por mudanças regulatórias, enquanto o crédito pessoal não consignado avançou 9,3% e financiamentos de veículos cresceram apenas 0,6%.

Essa dinâmica, somada ao custo do crédito, reduz a propensão de tomada de empréstimos. O Itaú alerta que queda de 1 ponto percentual nas concessões tende a reduzir o consumo em cerca de 0,8 ponto percentual, com impacto máximo em seis meses.

Rendimentos, juros e endividamento

Itens de consumo com maior dependência de crédito — como móveis, eletrodomésticos, veículos e material de construção — apresentaram desempenho mais fraco que itens de demanda mais ligada à renda, como alimentos e vestuário.

O peso dos juros e das parcelas no orçamento é outro fator relevante. O compromisso da renda com dívidas atingiu 29,7% em fevereiro de 2026, impulsionado pelo cartão de crédito parcelado sem juros em parte das operações.

Excluindo esse componente, o indicador fica em cerca de 20%, ainda elevado, mas abaixo do pico de 2011. O mercado de trabalho aquecido mantém o desemprego em patamar abaixo de 8%.

O que esperar até 2026

O Itaú mantém a visão de que o consumo deve crescer abaixo da renda em 2026, tendência observada em 2023 e 2025. A taxa de juros pode recuar gradualmente nas linhas de crédito Core PF.

A previsão considera uma renda com alta de 3,6%, sustentada pela resiliência do mercado de trabalho e pela continuidade de programas de transferência de renda. O efeito sobre o consumo deve permanecer contido.

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