- Mais de 130 países, que respondem por cerca de 98% do PIB global, trabalham no desenvolvimento de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), com parte já em pilotos.
- Exemplos: yuan digital já permite pagar contas de serviço e transporte; rupeta digital indiana é usada para subsídios a agricultores e operações com títulos públicos.
- Um terço dos bancos centrais ajustou prazos de implementação para ampliar segurança, privacidade e integração com o sistema financeiro existente.
- A inclusão financeira é motivação central para mais de sessenta por cento das autoridades monetárias, buscando conectar pessoas sem conta bancária por meio de smartphones.
- Pesquisas apontam diferentes caminhos: soluções de varejo na África e na Ásia, modelos de varejo e atacado em economias desenvolvidas, com expectativa de expansão para redes de liquidação entre bancos nos próximos cinco anos e adoção nacional mais ampla em cerca de uma década.
Volodymyr Nosov, fundador e presidente do WhiteBIT Group, analisa o comprometimento estatal com CBDCs e o que impulsiona o caminho dessas moedas digitais para a prática cotidiana. O tema ganha força conforme bancos centrais avançam em pesquisa e pilotos, conectando finanças tradicionais a Web3.
Segundo o especialista, CBDCs já são uma ponte importante entre setores, com mais de 130 países desenvolvendo moedas digitais e 98% do PIB global sob investigação. Países como China, Índia e Brasil testam casos de uso mais avançados, além de utilitários como pagamento de tarifas e subsídios.
O panorama atual mostra que, apesar do avanço, muitos bancos centrais adotam ritmo mais comedido para fortalecer segurança cibernética, privacidade e integração com o sistema bancário existente. O objetivo é equilibrar inovação com estabilidade financeira.
Motivações e Estratégias de Adoção
Analistas indicam que cerca de 1,4 bilhão de adultos sem conta bancária podem se beneficiar de CBDCs. Em países como Índia e Nigéria, a inclusão financeira já é um foco, com acesso direto ao dinheiro via smartphones. Mais de 60% das instituições citam inclusão como motivação principal.
Além de inclusão, cresce a transformação tecnológica. A tokenização de ativos e operações 24/7 demanda infraestruturas de pagamento mais flexíveis, com redes de CBDCs a cargo de grandes transações entre bancos nos próximos cinco anos. O papel geopolítico também aparece como fator relevante.
Desafios, Privacidade e Segurança
A discussão sobre transparência versus privacidade envolve privacidade por design e provas de conhecimento zero para verificar transações sem expor identidades. Uma supervisão financeira em múltiplos níveis prometem manter privacidade em transações pequenas, com monitoramento em grandes operações.
No debate sobre o futuro do setor bancário, governos buscam modelos que preservem a função dos bancos, ao mesmo tempo em que ampliam o acesso a ferramentas digitais. Pesquisas de opinião, como no Brasil, apontam apoio à manutenção de bancos e dinheiro físico em CBDCs.
CBDC vs Cripto e Perspectivas Futuras
A relação entre CBDCs e cripto não é de competição, mas de camadas distintas da infraestrutura financeira. CBDCs são meios de liquidação regulados, enquanto cripto permanece no espaço de inovação. Plataformas cripto atuam como conectores entre fiat, CBDCs e ativos digitais.
Nosov aponta que, nos próximos três anos, devem ocorrer pilotos ampliados e lançamentos regionais. Em cinco anos, pode haver integração em sistemas de pagamento nacionais e corredores transfronteiriços. Em cerca de uma década, moedas digitais nacionais devem tornar-se infraestrutura comum.
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