- A H&M alertou que uma guerra prolongada no Oriente Médio pode impactar significativamente os gastos do consumidor, dificultando a competição com Zara e marcas chinesas de baixo custo.
- As ações do grupo caíram até 6,6% após vendas fracas de março, mesmo com lucro entre dezembro e fevereiro aumentando 26% para US$ 162 milhões.
- A alta dos preços da energia desde o início do conflito alimenta a inflação e esfria a demanda, pressionando o varejo.
- O presidente-executivo Daniel Erver disse que ainda não houve impacto na demanda, mas alertou que uma crise prolongada pode ter efeito significativo no comportamento do consumidor.
- Analistas e concorrentes indicam que a guerra pode reduzir a demanda e elevar custos; a H&M tem clientes mais sensíveis a preço e exposição moderada ao Oriente Médio.
A H&M alertou nesta quinta-feira que uma guerra prolongada no Oriente Médio pode pressionar significativamente os gastos dos consumidores. A empresa afirmou que esse cenário poderia dificultar seus esforços para conciliar a demanda por marcas como Zara e opções de baixo custo da China.
O arrefecimento do consumo, aliado ao aumento dos preços da energia desde o início do conflito com o Irã, já alimenta preocupações com inflação. As ações da varejista chegaram a recuar até 6,6% após dados de março mostrarem resultados abaixo do esperado.
A companhia informou que, até o momento, não observa queda generalizada na demanda. Ainda assim, o presidente-executivo Daniel Erver alertou que uma crise prolongada poderia ter impacto relevante no comportamento do consumidor.
Aponte-se que o efeito de um conflito contínuo poderia manter pressão inflacionária, o que tende a reduzir o poder de compra e limitar o ímpeto de consumo. Em relação aos custos, a empresa sinalizou gastos adicionais modesto.
A Next, varejista britânica, já havia indicado que uma guerra prolongada tende a reduzir a demanda ao mesmo tempo em que eleva custos e preços. A H&M, com base de clientes sensível a preço, tem enfrentado maior competição de varejistas online ultrabaratos.
A empresa divulgou lucro operacional de 162 milhões de dólares no 1º trimestre, um avanço de 26% sobre o mesmo período do ano anterior. O resultado representa o terceiro crescimento trimestral consecutivo dos lucros, apesar das vendas fracas.
A H&M atribuiu o desempenho positivo no trimestre ao sucesso das coleções de primavera, que contribuíram para uma tendência de vendas mais estável, inclusive em março. As vendas locais registraram queda de 1% nas moedas locais.
Apesar do recuo, a empresa projetou leve alta de 1% para março. Analistas ressaltaram que o ritmo ainda é abaixo do esperado, em especial frente à competição de marcas como Shein e Zara, no segmento de fast fashion.
A exposição regional da H&M ao Oriente Médio é limitada, pois a maior parte das lojas opera por meio de franqueados. A empresa também afirmou que não foi fortemente afetada por interrupções de espaço aéreo, já que a maior parte das mercadorias é transportada por via marítima e rodoviária.
Lucas Mattsson, analista da Inderes, avaliou que é cedo para confirmar impactos significativos. Ele destacou cautela sobre possíveis movimentos de 2026, sem mostrar sinais claros de tendência de crescimento.
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