- Berkshire Hathaway, sob o novo CEO Greg Abel, registrou queda de 10,8% nas ações nos últimos 12 meses, desempenho bem abaixo do Índice S&P 500.
- No primeiro trimestre, a gestora reduziu participações acionárias em US$ 8,1 bilhões líquidos, mantendo caixa de US$ 397 bilhões (cerca de 32% do total de ativos).
- Abel afirmou que a Berkshire mantém paciência e disciplina na alocação de capital, buscando oportunidades ao longo do tempo sem precisar gastar todo o dinheiro de uma vez.
- O texto destaca o contexto de IA, elevação de múltiplos de valuation e desafios para a avaliação de perspectivas econômicas de longo prazo.
- O artigo questiona se o tradicional “prêmio Buffett” pode virar “desconto Abel” caso o desempenho não se recupere, diante da competição com fundos de baixo custo e a ausência de histórico sólido de Abel.
Berkshire Hathaway, sob a gestão do novo CEO Greg Abel, enfrenta o pior ciclo de desempenho de ações em cerca de 25 anos. A empresa registrou queda de 10,8% nos últimos 12 meses, ficando muito abaixo do índice S&P 500, com diferença de 40,4 pontos percentuais.
Abel assumiu em 1º de janeiro e disse, em sua primeira assembleia anual, que a disciplina no investimento permanece central. A gestão ressaltou paciência ao alocar capital, buscando oportunidades com avaliação razoável e perspectivas de longo prazo.
A companhia reduziu suas participações acionárias em US$ 8,1 bilhões no primeiro trimestre, elevando a posição de caixa para US$ 397 bilhões, cerca de 32% do total de ativos. A mudança ocorreu em meio ao ambiente de maior incerteza tecnológica e valuations elevados.
Desempenho e disciplina de investimento
A Berkshire busca manter uma abordagem conservadora, com foco em empresas compreendidas pela gestão e com visões de longo prazo. Analistas destacam que o desempenho recente coloca Abel sob pressão para reverter o distanciamento em relação ao S&P 500.
Segundo a avaliação de mercado, a pressão vem justamente do fato de Abel ser mais gestor de negócios do que investidor ativo, posição que diferencia a Berkshire de seus históricos fortes. A percepção é de que o prêmio Buffett pode se transformar em desconto se o ritmo não se recuperar.
Impacto do cenário atual
A tecnologia é vista como desafio para o público investidor, com dúvidas sobre monetização e efeitos na economia, ao passo que múltiplos de valuation parecem elevados para alguns ativos. A Berkshire não confirma projeções de curto prazo, mantendo o foco em oportunidades de médio a longo prazo.
Para os fiéis da empresa, episódios de desempenho abaixo da média na era da internet foram pontuais, mas o mercado hoje analisa se Abel terá consistência para recuperar o atraso. O risco de saída de investidores permanece sob observação.
Perspectivas de capital e estratégia
Caso o mercado enfrentar queda, a Berkshire pode agir para aproveitar ativos residuais, o que poderia potencialmente favorecer Abel a longo prazo. A gestão, porém, não revela intenções de mudanças bruscas em sua estratégia de alocação de capital.
A leitura de especialistas aponta que Abel está alinhado com princípios de Buffett, priorizando disciplina e paciência. Ainda assim, resta saber se a performance sustentável será suficiente para reconquistar a confiança do mercado.
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