- Abelhas da espécie Bombus terrestris mostraram, sem treinamento, a capacidade de empregar uma bola de isopor como ferramenta para alcançar uma flor artificial no teto de uma caixa acrílica.
- O desafio exigiu que a abelha empurrasse a bola até o compartimento onde fica a flor, usando-a como plataforma para subir.
- No experimento principal, 23 das 30 abelhas participantes obtiveram a recompensa, embora algumas tentassem truques para burlar o desafio.
- Controles mostraram menor sucesso quando as abelhas não tinham acesso à bola ou à flor, indicando que o desempenho não foi apenas casual.
- O estudo, divulgado pela Science em junho, sugere que cérebros pequenos podem resolver problemas de forma flexível, sem aprendizado prévio, embora não implique pensamento humano.
Abelhas aprenderam a usar ferramentas sem treinamento prévio para resolver um desafio de acesso a uma recompensa. Em uma caixa de acrílico, elas tinham de mover uma bolinha de isopor para ganhar acesso a uma flor artificial no teto. O teto era baixo demais para voo, tornando a bolinha uma plataforma.
Ao longo do experimento, 30 abelhas da espécie Bombus terrestris foram expostas a duas informações simples: a bolinha poderia ser movida e a recompensa ficava na flor. Sem contato prévio com a solução, elas precisaram deduzir a estratégia para alcançar o objetivo.
O estudo, divulgado na Science em 4 de junho, foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Turku, na Finlândia. O objetivo foi demonstrar que insetos com cérebros pequenos conseguem manipular objetos de forma espontânea para atingir metas.
Metodologia e resultados
Os pesquisadores criaram uma versão do famoso problema da caixa e da banana para abelhas. A solução ocorreu mesmo com barreiras que impediam ver a flor, mostrando que as abelhas memorizaram o objetivo e empurraram a bola na direção necessária.
Antes do experimento, houve período de habituação sem a bolinha. Em seguida, a iluminação permitiu a entrada da bola. Após breve tentativa, muitas abelhas passaram a usar a bola como ferramenta para alcançar a flor.
Controle com grupos mostrou menor taxa de sucesso quando apenas a bola ou a flor eram apresentados ou quando nenhuma solução era disponibilizada. Sessões com barreiras reforçaram que a memória do objetivo guiou o comportamento.
No total, 23 das 30 abelhas do teste principal obtiveram sucesso. Ainda assim, alguns indivíduos optaram por caminhos alternativos para obter a recompensa, sem usar a bola como ferramenta.
Os autores destacam que o experimento não simula hábitos naturais, mas evidencia a capacidade de decisão e resolução de problemas. Eles ressaltam que não se trata de pensamento humano, mas de flexibilidade de resposta em cérebros pequenos.
O estudo reforça a ideia de que a cognição em insetos pode ser mais complexa do que se pensava. Pesquisadores destacam que abelhas podem colaborar, aprender de forma social e adaptar comportamentos a novos desafios.
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