- Um em cada quatro brasileiros não sabe que o câncer pode ser prevenido, segundo o estudo Mais Dados Mais Saúde, que ouviu 6,5 mil pessoas em todo o país.
- O Inca estima 781 mil casos novos por ano no triênio 2026/2028, aumento de 10,9% em relação ao período anterior.
- Fatores de risco mais reconhecidos: fumar (90,5%), herança genética (89,4%) e exposição solar sem proteção (88,3%).
- Fatores com menor percepção de risco: bebidas alcoólicas (71,3%), carnes processadas (70,7%) e ultraprocessados (65,6%).
- Jovens até 24 anos apresentam maior consumo de ultraprocessados, bebidas adoçadas e carne vermelha sem intenção de reduzir; 52,2% praticam atividade física.
Um em cada quatro brasileiros não sabe que o câncer pode ser prevenido. O dado faz parte do relatório Mais Dados Mais Saúde, divulgado nesta quarta-feira (3). A pesquisa avalia percepções sobre fatores de risco como tabagismo, álcool, ultraprocessados e sedentarismo.
O estudo, realizado pelas organizações Umane e Vital Strategies com apoio do Inca, ouviu 6,5 mil pessoas em todos os estados e no Distrito Federal. A primeira edição de abrangência nacional foca no que a população sabe e faz em relação à prevenção.
O Inca estima 781 mil novos casos de câncer no triênio 2026/2028, alta de 10,9% em relação ao período anterior. O aumento acompanha envelhecimento populacional e hábitos de vida, segundo a instituição.
Fatores de risco
Entre os fatores, fumo e exposição solar sem proteção aparecem como bem reconhecidos, mas alguns não são vistos como risco. O sedentarismo, por exemplo, figura entre os menos percebidos, com apenas 48,3% entendendo que falta de atividade física aumenta o risco.
Luciana Grucci Moreira, chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca, destaca melhora na percepção do público em comparação a estudos internacionais. O fumo tem maior reconhecimento: 90,5% associam fumar ao câncer.
Herança genética (89,4%) e exposição solar excessiva (88,3%) aparecem logo atrás. Já bebidas alcoólicas são reconhecidas por 71,3%, carnes processadas por 70,7% e ultraproassados por 65,6%.
Advertências na embalagem, impostos elevados e ambientes sem fumo contribuíram para a percepção sobre tabagismo. Para ampliar a percepção sobre outros fatores, políticas públicas semelhantes são sugeridas pela pesquisadora.
Proteção e alimentação
O aleitamento materno é visto como proteção contra o câncer de mama por mais de 60% dos entrevistados, mas 40% não sabiam dessa relação. A pesquisadora reforça que mães que amamentam têm menor risco de câncer de mama comparadas a aquelas sem oportunidade de amamentar.
Sobrepeso e obesidade são reconhecidos como risco por 54,1% da população. Consumo de bebidas adoçadas, baixa ingestão de frutas e verduras e sedentarismo são percebidos por cerca de metade dos adultos. A carne vermelha é associada ao câncer por 27,5%.
A especialista ressalta que informação não basta: é preciso políticas públicas que facilitem escolhas saudáveis, como segurança para a prática de atividade física e acesso a alimentação saudável. A rua precisa favorecer o exercício, diz.
Comportamentos
Na prática, 45% relatam consumir ultraprocessados e terem tentado reduzir esse consumo. Cerca de 33% não consomem, e 15% consomem sem intenção de reduzir. Em bebidas adoçadas, 53% consomem com intenção de reduzir, 27% não consomem e 15% não querem reduzir.
Para carne vermelha, 45% consomem sem tentar reduzir, 40% consomem e tentam reduzir, e 10% não consomem. Quase 86% afirmam consumir frutas, legumes e verduras; 8,3% não consomem, com 1 em cada 4 indicando intenção de começar.
Jovens e sedentarismo
Entre os jovens até 24 anos, o consumo de ultraprocessados sem intenção de reduzir atinge 32,3%. Bebidas adoçadas chegam a 24,4% nesse grupo, enquanto 29,5% consomem embutidos sem reduzir. Carne vermelha é citada por 49,1%.
Sobre bebidas alcoólicas, 50,1% não consomem e 32,5% que bebem já tentaram reduzir. A faixa etária mais jovem é a maior parcela dos que não pretendem reduzir o consumo de álcool.
Sedentarismo e renda
Mais de metade (52,2%) afirmam praticar atividade física, e 39% desejam começar a se exercitar. Pesquisados com renda mais alta apresentam maior familiaridade com a relação entre sedentarismo e câncer: 59,6% têm conhecimento, frente a 45% entre quem ganha até R$ 2 mil.
Quase metade (48,8%) relatam peso saudável. Entre os que se reconhecem com sobrepeso, apenas 31% afirmam estar tomando providências, com queda para 22,9% entre os mais pobres.
Estratégias
Luciana Moreira aponta que o estudo ajuda a planejar ações de comunicação e políticas públicas para ampliar a informação de qualidade. Ela enfatiza a necessidade de políticas que promovam escolhas saudáveis de alimentação e atividade física.
Outra pesquisadora, Luciana Sardinha, ressalta o papel do estudo em despertar interesse público pelo tema. O conjunto de resultados busca ampliar o debate sobre fatores de risco e prevenção.
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