- Em 2015, cientistas avistaram um pontinho azul a 1.773 metros de profundidade nas Ilhas Darwin, nas Galápagos, e identificaram uma nova espécie de polvo.
- Nesta segunda-feira, o polvo foi descrito como Microeledone galapagensis, publicada no periódico Zootaxa.
- A análise interna foi feita por tomografia computadorizada no Museu Field de História Natural, permitindo observar órgãos sem dissecar o único exemplar.
- Comparado aos polvos do gênero Thaumeledone, o espécime tinha pele mais lisa, tom branco-azulado, sifão com glândula de saliva maior e apenas um dente, levando à reclassificação para o gênero Microeledone.
- Trata-se da primeira espécie de polvo de águas profundas descoberta no Pacífico equatorial oriental, destacando que grande parte da vida marinha permanece desconhecida.
Em 2015, cientistas avistaram um pontinho azul no fundo do mar nas Ilhas Galápagos. A descoberta chegou à literatura científica somente mais tarde, com a descrição de uma nova espécie de polvo.
O animal foi observado a 1.773 metros de profundidade, durante expedição a bordo do navio oceanográfico E/V Nautilus. Os registros foram feitos por meio de uma câmera de submarino remoto, no Pacífico, a cerca de mil quilômetros da costa sul-americana.
O espécime, muito pequeno, foi capturado para estudo e preservado em formalina antes de seguir para análise. A perfuração de amostras só foi possível com a aplicação de técnicas de preservação.
Descoberta e identificação
Em 2017, a bióloga Janet Voight reconheceu que se tratava de algo singular, ao analisar uma fotografia do animal. A hipótese inicial o colocava no gênero Thaumeledone, porém a confirmação exigia exame das estruturas internas.
Em 2022, Voight pôde inspecionar o exemplar sem destruí-lo, graças a tomografia computadorizada de raio-X instalada no Museu Field de História Natural, em Chicago. O modelo 3D permitiu observar órgãos internos sem dissecação.
Descrição e classificação
A análise revelou diferenças com relação aos parentes do gênero Thaumeledone, incluindo pele lisa e tom branco, que aparecia azul sob a iluminação da câmera. O sifão apresentava características distintas, com uma glândula de saliva muito maior e apenas um dente presente.
Com base nesses diferenciais, a espécie foi classificada no gênero Microeledone, recebendo o nome Microeledone galapagensis. Trata-se da primeira descrição dessa espécie e da primeira descoberta de uma equipe liderada por Voight nas profundezas oceânicas.
Contexto científico e importância
A descrição foi publicada no periódico Zootaxa em 25 de maio, após o estudo ter sido conduzido ao longo de 11 anos desde o primeiro avistamento. A respeito da descoberta, cientistas destacam a riqueza ainda oculta das Galápagos e a importância de inventariar a vida marinha para conservar os ecossistemas.
Estudos estimam que cerca de 91% das espécies oceânicas ainda não foram descritas, o que reforça a necessidade de pesquisas e proteção ambiental. O polvo azul de águas profundas representa um marco nessa linha de investigações.
Relevância ecológica
A descoberta ressalta a diversidade de polvos nas profundezas do Pacífico Equatorial Oriental. A busca por novas espécies continua potencialmente revelando aspectos sobre adaptabilidade, biofísica e interações com o ambiente abissal.
A pesquisa também levanta discussões sobre impactos de atividades humanas, como mineração em águas profundas, sobre ecossistemas ainda pouco compreendidos. Por isso, a preservação das áreas estudadas ganha relevância crescente.
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