- Um relatório da National Preparedness Commission aponta que biofertilizantes, como digestato e compost, podem tornar o Reino Unido menos vulnerável a choques no fornecimento de fertilizantes, após o aumento de preços desde o conflito na região.
- O produtor Frans de Boer, em West Sussex, usa digestato orgânico em lavouras de milho para gerar biogás e fertilizante; ele está mais estável financeiramente, mas não é 100% autossuficiente em nitrogênio.
- Digestato tem menor teor de nitrogênio que fertilizantes artificiais, exigindo aplicação maior para alcançar o mesmo efeito, além de ser mais pesado para transportar.
- A Renewable Energy Association vê grande potencial para o mercado de biofertilizantes offsetar desafios do estreito de Hormuz, com produção britânica de cerca de 25 milhões de toneladas de digestato e cerca de 7 milhões de toneladas de compost.
- Doug Taylor, de Folkestone, produz cerca de 9 mil toneladas de compost a partir de resíduos verdes, usando em 1.100 acres; ele ressalta custos de transporte e necessidade de mais pesquisa, mas valor ambiental dos biofertilizantes.
Homegrown fertilisers ajudam na contenção de custos durante o “shutdown” do Estreito
Fertilizantes orgânicos nacionais passam a oferecer proteção parcial frente ao aumento de preços dos insumos artificiais, segundo a Comissão Nacional de Preparação. A elevação dos preços desde o início do conflito no Oriente Médio é citada como contexto.
Agricultores do Sudeste relatam que o uso de biofertilizantes, como digestato e composto, impõe desafios logísticos e de aplicação, mas pode reduzir vulnerabilidade a oscilações de mercado.
O que aconteceu
Um estudo da National Preparedness Commission aponta que o digestato orgânico pode diminuir a dependência de importados, diante de um aumento de até 80% nos preços desde o início da ação entre EUA e Israel contra o Irã.
Frans de Boer, produtor de West Sussex, usa digestato no cultivo de milho para alimentar um digestor anaeróbico que gera biogás e eletricidade vendida à rede. O digestato aparece como parte da retomada da rentabilidade.
O cultivo de milho de De Boer alimenta o próprio processo: o ração emite biogás, que gera energia, enquanto o resíduo é aplicado como fertilizante no campo.
Quem está envolvido
Agricultor Frans de Boer, de West Sussex, é citado como exemplo de uso de digestato na prática.
Jenny Grant, da Renewable Energy Association, aponta potencial do biofertilizante para enfrentar dificuldades logísticas decorrentes do bloqueio de Hormuz.
Doug Taylor, que cultiva trigo, linhaça, leguminosas e aveia perto de Folkestone, atua como produtor de composto a partir de resíduos urbanos, com cerca de 9 mil toneladas anuais de compostagem.
Quando e onde
O cenário atual é alimentado pela escalada do conflito no Oriente Médio e pelo bloqueio efetivo do Estreito de Hormuz, que reduz fluxos globais de fertilizantes e óleo.
A produção de biofertilizantes na região britânica envolve operações em West Sussex, East Kent e arredores, com foco na construção de uma cadeia local de insumos.
Por que isso importa
A digestação de resíduos orgânicos resulta em fertilizantes com menor teor de nitrogênio por tonelada, exigindo aplicação maior para igualar benefícios.
A produção de biogás a partir de milho alimenta a rede, gerando receita adicional para os agricultores e ampliando a capacidade de autossuficiência nitrogenada.
Pesquisas citadas indicam que a produção e uso de fertilizantes artificiais geram emissões de gases de efeito estufa superiores às dos orgânicos.
A Comissão de Preparação aponta que o Reino Unido importa cerca de três vezes o que produz em fertilizantes, destacando vulnerabilidade do setor.
Desdobramentos e perspectivas
Jenny Grant ressalta que a preparação regulatória recente, que exige coleta semanal de resíduos alimentares, pode aumentar a matéria-prima disponível para biofertilizantes.
Doug Taylor afirma que, embora haja potencial de expansão no Reino Unido, ainda é preciso investir em pesquisas, reduzir custos de transporte e resolver desafios logísticos de aplicação em grandes volumes.
O relatório também indica que, mesmo com sinais de diversificação, o mercado de biofertilizantes continua pequeno e emergente mundialmente, exigindo mudanças no uso da terra e na escolha de culturas para uma transição de sistemas com menor insumo para alternativas orgânicas.
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