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Crise energética de Bangladesh mostra promessas e limitações da energia solar

Com falhas de gás e carvão, Bangladesh usa solar para atenuar apagões; em Rangpur, o solar responde por cerca de 84% da geração diurna, ainda que sua participação seja pequena

Bangladesh’s largest solar power plant, Teesta Solar Limited, operates a 200 MW facility in Gaibandha, located within the Rangpur Division. The plant is situated on a land of around 263 hectares (650 acres) and officially commenced operation in August 2023. Image by Md Jahidul Islam.
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  • Bangladesh enfrenta dificuldades com combustível, interrupções em usinas e aumento de custos de importação de energia; 52 usinas a gás/carvão estão completamente desligadas, enquanto a BPDB informou 312.620 MWh gerados no dia 9 de maio, sendo 5.377 MWh de solar.
  • A geração total instalada é de 28.919 MW, com gás respondendo por 12.472 MW, carvão por 7.769 MW; renováveis têm participação menor, incluindo solar com 777 MW, hidroeletricidade 230 MW e eólica 62 MW.
  • No norte do país, a solar ajuda a estabilizar o fornecimento, com a região de Rangpur respondendo por cerca de 84% da geração diurna; a Teesta Solar Limited tem 200 MW em Gaibandha.
  • A usina a gás de Ghorashal, próxima a Dhaka, está totalmente desligada devido à escassez de gás, com capacidade de 1.200 MW; se o gás fosse retomado agora, cerca de 615 MW poderiam ser gerados.
  • Especialistas ressaltam que a participação da energia solar ainda é pequena, mas funciona como amortecedor em crises; estudo da IEEFA aponta apenas 2,3% de renováveis no mix e cobra políticas de apoio e expansão de solar distribuído.

Bangladesh enfrenta crise energética, com faltas de combustível e interrupções em usinas, enquanto o setor de energia solar ganha espaço para atenuar apagões. Segundo a BPDB, 16 de 136 usinas e fontes de importação elétricas são solares, em meio a dezenas de parques a gás e carvão com operações reduzidas.

A BPDB também informou que, em 9 de maio, a geração total atingiu 312.620 MWh, com 5.377 MWh gerados por solar, 127.700 MWh por gás e 105.400 MWh por carvão. A diferença entre demanda e oferta revela pressão nas usinas movidas a combustíveis fósseis.

Embora a capacidade instalada supere a demanda de pico, fatores como abastecimento de combustível, manutenções e falhas técnicas reduzem a produção. Isso provoca fases de racionamento de energia em várias regiões do país.

A energia solar, porém, continua gerando durante o dia e fica relativamente protegida da volatilidade dos preços internacionais de combustíveis. Dados da BPDB indicam que a conta de geração de maio de 2026 já mostra esse papel de amortecimento.

Em maio, a capacidade instalada total do sistema elétrico é de 28.919 MW. Gás responde por 12.472 MW, carvão por 7.769 MW e óleo pesado por 5.641 MW. Importação elétrica representa 1.160 MW; solar, 777 MW; hidro e eólica somam 230 MW e 62 MW, respectivamente.

Solar no norte do país

Na região de Rangpur, uma das mais pobres, o solar tem papel essencial na estabilidade do fornecimento local. Entre as maiores usinas estão Teesta Solar Limited (200 MW) em Gaibandha, Lalmonirhat Solar (30 MW) e Majhipara (8 MW) em Tetulia. Md Sazid Zakir, gerente da Teesta Solar, afirmou que a planta gera entre 1.000 e 1.200 MWh diários, sem combustíveis.

Ele ressaltou que a contribuição no sistema nacional ainda é pequena, mas crucial em crises de energia. Segundo Zakir, a Teesta Solar vende energia para a rede a cerca de 10 centavos de dólar por kWh. Dados da BPDB apontam que solar representa cerca de 84% da geração diurna na região de Rangpur.

Falta de gás e impactos em grandes usinas

A usina Ghorashal, junto a Dhaka, uma das maiores a gás, está totalmente parada por falta de gás. A unidade possui sete módulos com potência total de aproximadamente 1.200 MW. O gerente de uma das unidades informou que, se o combustível estivesse disponível, seria possível gerar cerca de 615 MW de imediato.

A paralisação eleva os riscos técnicos e deixa em ociosidade grande parte da operação e da força de trabalho da instalação, enfrentando desafios para manter o sistema estável durante a crise.

Participação das renováveis e perspectivas

Um estudo do IE

EFA aponta que as renováveis respondem por apenas 2,3% da matriz energética de Bangladesh, bem abaixo da média global de cerca de 33,8%. O documento sugere medidas para ampliar a solarização, incluindo incentivos para instalação de painéis em telhados e políticas de isenção de impostos para projetos comunitários.

O estudo afirma que a solar não substitui totalmente a geração base, mas funciona como amortecedor durante crises. A divulgação de políticas para reduzir a dependência de combustíveis importa para evitar choques de preço no mercado externo.

Rumos do governo

Desde o início da guerra na Ucrânia, o país tem enfrentado alta nos preços globais de energia. Em resposta, o governo pretende ampliar a energia renovável, com foco em projetos solares comunitários e em telhados de edifícios públicos. A meta é chegar a 5.000 MW adicionais de energia solar nos próximos cinco anos, com ações como instalar painéis em escritórios de subdelegacias em três meses.

Esses esforços refletem o desafio de ampliar a capacidade solar sem abrir mão da estabilidade da rede, em um cenário de importação de LNG e combustível caro. A evolução dependerá de políticas eficazes, metas realistas e apoio para reduzir a dependência de fósseis importados.

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