- Foi descrita oficialmente a nova espécie de peixe-cachimbo-fantasma Solenostomus snuffleupagus, batizada em homenagem ao Sr. Snuffleupagus da Vila Sésamo.
- O animal vive camuflado entre algas vermelhas em recifes do Pacífico e apresenta aparência peluda e focinho comprido.
- A descoberta foi anunciada por David Harasti e Graham Short após anos de investigação, com dois exemplares — um macho e uma fêmea — encontrados perto da Grande Barreira de Corais, próximo a Cairns, na Austrália, em 2020.
- Comparações taxonômicas mostraram 36 vértebras (mais do que outras espécies do grupo) e diferenças no crânio e em estruturas ósseas, com DNA divergindo cerca de 22% do Solenostomus paegnius, sugerindo separação evolutiva de cerca de 18 milhões de anos.
- O estudo aponta que o peixe, até então visto apenas por mergulhadores e registros colaborativos, pode ser mais comum do que parece e que há relatos de alimentação de um exemplar por outro peixe, uma primeira para o grupo; o estado de conservação permanece desconhecido.
O peixe-cachimbo peludo ganha nome inspirado na Vila Sésamo após décadas de mistério. Pesquisadores australianos anunciaram, neste ano, a formal descoberta da nova espécie Solenostomus snuffleupagus, batizada em homenagem ao personagem Snuffleupagus da Vila Sésamo. A identificação ocorreu a partir de mergulho perto da Grande Barreira de Corais, na Austrália.
O animal vive camuflado entre algas vermelhas em recifes do Pacífico e só agora teve sua identidade conclusivamente comprovada. Em 2002, o biólogo marinho David Harasti observou o que parecia um tufo de alga movimentando-se na corrente. A confirmação veio após anos de coleta de evidências e comparações com espécies aparentadas.
A partir de dois exemplares — um macho e uma fêmea encontrados a cerca de 15 metros de profundidade —, os pesquisadores utilizam medições, análises genéticas e tomografias para desvendar as diferenças. O novo peixe é o representante mais peludo do grupo conhecido como peixes-cachimbo-fantasma.
Características e confirmação científica
O Solenostomus snuffleupagus apresenta filamentos alongados que cobrem o corpo, conferindo aspecto de alga flutuante. O animal possui 36 vértebras, mais que as 32-34 da maioria dos parentes, além de diferenças no crânio e em estruturas ósseas na pele. O DNA diverge cerca de 22% do Solenostomus paegnius, sugerindo separação evolutiva de cerca de 18 milhões de anos.
Tomografias revelaram ainda restos de um pequeno peixe no estômago de um exemplar, o primeiro registro desse grupo se alimentando de outras espécies. Antes, acreditava-se que esses peixes consumiam apenas crustáceos e zooplâncton.
Rotas de coleta e alcance
A ciência colaborativa teve papel central: fotos de mergulhadores recreativos contribuíram para mapear a distribuição no sudoeste do Pacífico. Registros aparecem na Austrália, Papua-Nova Guiné, Fiji, Nova Caledônia e Tonga. A descrição formal foi publicada no Journal of Fish Biology, consolidando a nomenclatura.
Estado de conservação e perspectivas
O estado de conservação da espécie ainda não foi definido oficialmente. A hipótese dos pesquisadores é de que o peixe pode ser mais comum do que aparenta, dada a dificuldade de visualização entre as algas. A descoberta reforça a importância de observação e colaboração entre profissionais e comunidades de mergulho.
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