- O Papa Leão XIV表达 preocupação com o uso descontrolado de inteligência artificial, em mensagem no Vaticano durante a Memória de São Francisco de Sales.
- Ele disse que IA pode afetar privacidade, emprego, segurança e as bases da convivência humana, especialmente ao simular vozes, rostos e vínculos afetivos.
- O discurso ocorreu às vésperas do 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais da Igreja Católica, marcado para 17 de maio, e defende cooperação global para reduzir riscos.
- O Pontífice alertou sobre impacto na produção cultural, desinformação, perfis automatizados e o poder concentrado em grandes empresas de IA.
- Pediu orientação responsável da tecnologia, ressaltando jornalismo ético e a defesa da dignidade humana, em sintonia com alertas recentes de Harari em Davos.
O Papa Leão XIV expressou preocupação com o uso excessivo de inteligência artificial, destacando riscos à privacidade, emprego, segurança e convivência humana. A mensagem foi divulgada no Vaticano, durante a Memória de São Francisco de Sales.
Segundo o pontífice, IA capaz de simular vozes, rostos, conhecimento e empatia pode alterar a forma como as pessoas se comunicam e se informam, atingindo até vínculos afetivos. O alerta coincide com avanços tecnológicos recentes.
Ele ressaltou que, ao assumir tarefas cognitivas, a IA pode levar ao desligamento do esforço de pensar e refletir, enfraquecendo habilidades essenciais. Também citou impactos na produção cultural e na autoria de obras.
Risco à produção cultural e à verificação de fatos
O Papa afirmou que sistemas automatizados influenciam textos, músicas e vídeos, colocando setores criativos em risco. Há possibilidade de pessoas se tornarem consumidoras passivas de conteúdos sem autoria humana, enquanto máquinas treinam-se com obras.
Ele também destacou a dificuldade de distinguir pessoas reais de perfis automatizados nas redes sociais. Bots e grandes modelos linguísticos podem moldar debates públicos de forma invisível e persuasiva.
O líder religioso alertou sobre bots que parecem emocionais e podem ocupar espaços íntimos, influenciando estados psicológicos sem percepção do usuário. A desinformação gerada por conteúdos probabilísticos foi apontada como preocupação.
Concentração de poder e rumo ético da tecnologia
O Papa lembrou a concentração de poder em poucas empresas que controlam a IA, com potencial de moldar comportamentos e até a narrativa histórica. O objetivo é orientar o avanço tecnológico com responsabilidade.
Para Leão XIV, o desafio não é frear a inovação, e sim promovê-la com defesa da dignidade humana. A sociedade deve agir para que as ferramentas sirvam como aliadas, não como desumanizadoras.
A mensagem papal chega pouco tempo após o alerta do historiador Yuval Noah Harari, apresentado no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Harari afirmou que a IA pode agir de forma autônoma e transformar a relação entre humanidade e tecnologia.
Segundo Harari, a IA não é apenas uma ferramenta, mas um agente capaz de aprender e decidir por conta própria. Ele pediu decisões urgentes de líderes globais para evitar crises de identidade nos próximos anos.
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