- Autoridades canadenses afirmam que instituições de saúde e ciência dos EUA já não são confiáveis para informações precisas, especialmente sobre vacinas.
- A desinformação associada à administração de Donald Trump é citada como agravante da desconfiança dos canadenses na saúde pública.
- Em dezembro, Robert F. Kennedy Jr. promoveu uma agenda anti-vacina e houve mudanças no CDC que alarmaram especialistas em saúde.
- O Canadá perdeu o status de eliminação do sarampo em novembro, com mais de cinco mil casos registrados no ano.
- Uma pesquisa de dezembro mostrou que quarenta e quatro por cento dos canadenses ainda apresentam hesitação vacinal, com 17% buscando informações em sites do governo dos EUA.
Desdeontem, autoridades de saúde canadenses alertaram que instituições de saúde e ciência dos EUA deixaram de ser confiáveis para informações precisas, sobretudo sobre vacinas. A preocupação surge em meio a sinais de desinformação associada à gestão da administração Trump que pode abalar a confiança pública no sistema de saúde.
Dawn Bowdish, imunologista da McMaster University, afirmou que é difícil imaginar um cenário no qual esse ruído informacional não afete a percepção dos canadenses sobre vacinação. As críticas se intensificam conforme o entorno político nos EUA favorece discursos antivacina.
A crítica principal recai sobre o secretario de saúde dos EUA, Robert F Kennedy Jr, cuja atuação tem impulsionado uma agenda contrária à vacinação infantil. Em dezembro, um painel sob sua supervisão votou pela retirada de uma recomendação histórica do CDC para vacinar recém-nascidos contra hepatite B.
O CDC também passou a atualizar seu site, sob orientação de Kennedy, com afirmações que sugerem possibilidades de relação entre vacinas e autismo. Especialistas em saúde pública consideram tais alegações enganosas e prejudiciais à confiança pública.
A mudança de atuação do CDC é vista como um entrave para o combate à desconfiança em relação às vacinas, dificultando a comunicação de mensagens de saúde no Canadá, segundo Bowdish. O país enfrenta um período de alerta e busca de instituições confiáveis.
Em dezembro, a ministra da Saúde do Canadá, Marjorie Michel, declarou que não é possível confiar plenamente nas instituições de saúde e ciência dos EUA como parceiras confiáveis. Ela indicou que, para alguns canadenses, Kennedy pode influenciar opiniões sobre o tema.
As declarações ocorrem após o Canadá encerrar um ano marcado por problemas com a vacinação infantil e pela perda do status de eliminação de sarampo, registrado em novembro, com mais de 5 mil casos no país. A queda na vacinação e o acesso restrito a médicos de família são citados entre as causas.
Além disso, a disseminação de desinformação ampliou-se após a pandemia, contribuindo para a queda na adesão vacinal e para a hesitação em relação a imunizações entre pais e cuidadores canadenses. A situação é agravada por limitações de acesso à informação pública estável.
A pandemia também acelerou tensões entre plataformas e o governo, com impactos na comunicação de saúde pública. Bowdish aponta que esse ambiente dificulta a circulação de mensagens confiáveis sobre vacinação no Canadá.
Números de pesquisas nacionais indicaram que, embora a maioria dos canadenses mantenha confiança nas vacinas, a hesitação tem aumentado, especialmente entre jovens pais que citam preocupações de segurança e influências de redes sociais. Um estudo recente também mostrou que uma parcela busca informações em sites do governo dos EUA.
Especialistas destacam caminhos para enfrentar a desconfiança: fortalecer a cooperação internacional em vigilância sanitária, investir em sistemas próprios de monitoramento e reduzir a dependência de informações de instituições em mudança de cenário.
Professores e médicos também ressaltam que a solução está em reforçar as políticas públicas de saúde no Canadá, com foco em acesso a médicos de família e comunicação clara, para conter a disseminação de desinformação e restaurar a confiança na imunização.
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