- Em Guam, pesquisadores recuperaram de treze ARMS (estruturas artificiais) instaladas desde 2018, revelando 2.000 espécimes e 100 espécies nunca registradas na região; pelo menos 20 parecem ser totalmente novas.
- As ARMS ficam no zoneamento costeiro entre cinqüenta e cinco e cem metros de profundidade, área conhecida como zona de penumbra, onde a vida é pouco explorada.
- Entre as descobertas estão um goby transparente, um sea slug amarelo com bolinhas e um peixe cardinal laranja possivelmente de um novo gênero, Apogonichthyoides; também houve um pequeno polvo com bolinhas.
- A coleta aponta que DNA será necessário para confirmar identidades; a expectativa é que o número de espécies novas aumente muito após a análise genética.
- A expedição também mostrou sinais de aquecimento oceânico nessa zona, demonstrando pressão de pesca, poluição e mudanças climáticas sobre ecossistemas mesofóticos, que já sofrem impactos mesmo em profundidades maiores.
O grupo de cientistas da California Academy of Sciences retorna ao Pacífico para recolher estruturas artificiais instaladas em 2018. O objetivo era monitorar a vida marinha na zona de crepúsculo, entre 55 e 100 metros de profundidade, próximo a Guam. O esforço resulta de uma coleta programada de oito anos.
As ARMS, estruturas de vinílico que funcionam como pequenos condomínios para organismos, abrigaram uma diversidade inexplorada de espécies. Ao serem içadas, placas ficaram cobertas por esponjas laranja, v worm tube e animais vermelhos, além de peixes minúsculos que nunca haviam recebido luz solar.
Foram reunidos cerca de 2.000 exemplares e identificadas 100 espécies nunca registradas na região. Pelo menos 20 delas parecem ser novas para a ciência, incluindo um peixe cardinal laranja possivelmente pertencente ao gênero Apogonichthyoides e uma *Marionia* com manchas amarelas.
Descobertas e significado
A coleta revelou também um polvo bebê marcado por pontos e várias espécies invertebradas nunca vistas naquele nível de profundidade perto de Guam. Pesquisas genéticas devem confirmar a identidade de várias espécies.
A equipe utilizou mergulho com aparelhos de respiração fechada para retornar das profundezas, já que o mergulho com cilindro tradicional é inseguro nessa profundidade. O retorno completo levou várias horas, com etapas de descompressão rigorosas.
Especialistas locais registraram o material com fotos detalhadas e preservação das espécies para análise futura. A Universidade de Guam destacou a diversidade dessas zonas mesofóticas e a necessidade de proteção.
Prazo e próximos passos
O grupo inicia um projeto de dois anos para coletar 76 ARMS em recifes profundos do Pacífico, incluindo Palau, Polinésia Francesa e Ilhas Marshall. As amostras deverão ampliar o conhecimento sobre ecossistemas marinhos de profundidade e orientar medidas de conservação.
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