- A descoberta do sednoide Ammonite, designado como 2023 KQ14, pode desafiar a hipótese do Planeta Nove, que propõe a existência de um planeta massivo além de Netuno.
- A pesquisa, publicada na revista Nature Astronomy em 14 de julho, mostra que a órbita de Ammonite não se alinha com a dos outros sednoides, como Sedna.
- Ammonite orbita entre 66 e 252 unidades astronômicas (UA) do Sol, enquanto Sedna varia entre 76 e 900 UA.
- A orientação da órbita de Ammonite é oposta à dos outros sednoides, o que diminui a evidência estatística a favor do Planeta Nove.
- O Observatório Vera C. Rubin, no Chile, poderá fornecer dados importantes para investigar a existência do Planeta Nove nos próximos anos.
A descoberta do sednoide Ammonite, oficialmente designado como 2023 KQ14, pode desafiar a hipótese do Planeta Nove, que sugere a existência de um planeta massivo além de Netuno. A pesquisa, realizada por cientistas japoneses e publicada na revista *Nature Astronomy* em 14 de julho, revela que a órbita de Ammonite não se alinha com a dos outros sednoides conhecidos, como Sedna.
Ammonite, que recebeu o nome em homenagem ao fóssil da amonita, é um corpo celeste raro localizado no Cinturão de Kuiper. Sua órbita varia entre 66 e 252 unidades astronômicas (UA) do Sol, enquanto Sedna, descoberto em 2004, orbita entre 76 e 900 UA. A principal diferença está na orientação de suas órbitas: o ponto mais distante de Ammonite está voltado para o lado oposto dos outros sednoides, o que enfraquece a evidência estatística que sustenta a hipótese do Planeta Nove.
A teoria, proposta em 2016, sugere que um planeta do tamanho de Netuno ou maior poderia estar influenciando as órbitas dos sednoides. Shiang-Yu Wang, astrônomo do Instituto de Astronomia e Astrofísica de Taiwan, destacou que a descoberta de Ammonite diminui a probabilidade da existência do Planeta Nove, uma vez que sua órbita não segue o padrão dos outros sednoides.
Embora alguns especialistas considerem que a hipótese do Planeta Nove não deve ser descartada, a descoberta de Ammonite indica um cenário mais complexo. David Jewitt, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, afirmou que a evidência de alinhamento nunca foi convincente. Por outro lado, o professor Christopher Impey, da Universidade do Arizona, sugere que, se o Planeta Nove realmente existir, ele pode estar ainda mais distante e difícil de detectar.
A descoberta de Ammonite não apenas amplia a lista de objetos conhecidos no sistema solar, mas também ressalta a importância de continuar a exploração dos confins do sistema solar. O recém-ativado Observatório Vera C. Rubin, no Chile, poderá fornecer dados cruciais para confirmar ou refutar a existência do Planeta Nove nos próximos anos.
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