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Inteligência artificial distorce conhecimento científico, alertam especialistas

Inteligência artificial cria desinformação na saúde, ameaçando a confiança pública em informações científicas e na divulgação de tratamentos.

Tecnologia de deepfake permite que rostos e vozes de especialistas sejam clonados para vender curas milagrosas, espalhar desinformação e comprometer o debate público. (Foto: Alvaro Leme/Midjourney/Reprodução)
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  • A desinformação na saúde e ciência aumentou com o uso de inteligência artificial para criar contas falsas e deepfakes.
  • Essas fraudes promovem curas milagrosas e geram desconfiança na ciência.
  • A médica fictícia Dra. Rosemary Galbraith e o médico Drauzio Varella foram vítimas de uso indevido de suas imagens em vídeos fraudulentos.
  • Médicos de diferentes países, como Kgomotso Mathabe e Jonathan Shaw, também enfrentaram deepfakes associando seus nomes a tratamentos duvidosos.
  • É importante que plataformas digitais rotulem conteúdos gerados por IA e promovam a alfabetização científica para ajudar o público a distinguir informações legítimas de enganosas.

Recentemente, a desinformação na saúde e ciência tem se intensificado com o uso de inteligência artificial (IA) para criar contas falsas e deepfakes. Essas fraudes, que promovem curas milagrosas, têm gerado preocupações sobre a confiança pública na ciência.

Um exemplo alarmante é o caso da Dra. Rosemary Galbraith, uma médica fictícia criada por golpistas. Sua imagem e voz foram utilizadas para disseminar informações enganosas sobre tratamentos milagrosos. No Brasil, o médico Drauzio Varella também denunciou o uso indevido de sua imagem em vídeos fraudulentos que promovem produtos de saúde sem comprovação científica. Ele afirmou que as plataformas digitais não têm dado a devida atenção a essas fraudes.

O impacto da IA na desinformação

A IA tem facilitado a criação de conteúdos que imitam a estética científica, mas sem rigor metodológico. Médicos como Kgomotso Mathabe, da África do Sul, e Jonathan Shaw, da Austrália, também foram vítimas de deepfakes que associaram seus nomes a tratamentos duvidosos. Na Austrália, o apresentador Norman Swan foi enganado por um vídeo que o retratava promovendo suplementos falsos.

Além da saúde, a desinformação se espalha por meio de textos que parecem acadêmicos, mas são fraudulentos. Pesquisadores têm alertado sobre a publicação de artigos com citações falsas, que distorcem dados e promovem teorias infundadas. A BBC revelou que canais no YouTube têm usado IA para criar vídeos educativos que, na verdade, disseminam desinformação.

A crise da divulgação científica

A crise na divulgação científica não se limita ao conteúdo, mas também afeta a capacidade do público de discernir entre ciência e fraude. A confiança na ciência, construída ao longo do tempo, está em risco quando a IA simula a autoridade científica sem os métodos adequados. Essa situação cria um ambiente propício para o negacionismo.

É essencial que as plataformas digitais adotem medidas para rotular conteúdos gerados por IA que imitam a ciência. A alfabetização científica deve ser promovida fora do ambiente acadêmico, capacitando o público a distinguir entre informações legítimas e enganosas. Proteger a divulgação científica é fundamental para garantir que as pessoas possam tomar decisões informadas com base em evidências reais.

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