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Brasil registra alta preocupante de crianças sem vacinação adequada

Brasil registra 229 mil crianças sem a vacina DTP em 2024, refletindo desafios na cobertura vacinal e hesitação após a pandemia.

Criança é vacinada em posto de saúde na Zona Norte do Rio (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil/EBC)
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  • O Brasil ocupa a 17ª posição entre os 20 países com mais crianças sem vacinação adequada em 2024.
  • Um total de 229 mil crianças não recebeu a primeira dose da vacina DTP, segundo relatório do Unicef e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
  • A cobertura vacinal aumentou de 84% em 2023 para 90% em 2024, mas ainda está abaixo da meta ideal de 95%.
  • A hesitação vacinal, intensificada após a pandemia de Covid-19, e a desinformação são fatores que contribuem para a situação.
  • O Ministério da Saúde anunciou que 15 das 16 principais vacinas do calendário nacional tiveram aumento na cobertura, mas problemas logísticos e falta de vacinas ainda dificultam o acesso.

O Brasil voltou a ser um dos 20 países com mais crianças sem vacinação adequada, ocupando a 17ª posição no ranking global. Em 2024, 229 mil crianças não receberam a primeira dose da vacina DTP, conforme relatório do Unicef e da OMS. Apesar de um aumento na cobertura vacinal, que subiu de 84% em 2023 para 90% em 2024, o país ainda está abaixo da meta ideal de 95% para garantir a proteção coletiva.

O número de crianças “zero dose” caiu de 418 mil em 2022 para 229 mil em 2024, mas a presença do Brasil na lista é influenciada por sua grande população. A hesitação vacinal, que se intensificou após a pandemia de Covid-19, é um dos fatores que contribuem para essa situação. O infectologista pediatra Renato Kfouri destaca que o uso de números absolutos pode distorcer a realidade, fazendo com que países populosos apareçam entre os piores, mesmo com coberturas razoáveis.

Desafios na Vacinação

A desinformação e a falta de busca ativa por crianças não vacinadas são obstáculos significativos. Desde 2015, a urgência em vacinar diminuiu, especialmente após a eliminação de doenças como sarampo e poliomielite. O movimento antivacina, alimentado por informações falsas, também impactou negativamente a confiança da população. Além disso, a pandemia trouxe desafios logísticos, com unidades de saúde priorizando o combate à Covid-19.

O governo anterior, sob Jair Bolsonaro, foi criticado por desestimular a vacinação e fomentar o negacionismo científico. Em 2023, a maioria dos estados não atingiu as metas de vacinação infantil, conforme o anuário VacinaBR, que revelou que doenças como poliomielite e meningite tipo C estão em situação crítica.

Avanços e Iniciativas

O Ministério da Saúde anunciou avanços na imunização infantil, com 15 das 16 principais vacinas do calendário nacional apresentando aumento na cobertura. A pasta atribui esse progresso a ações como vacinação nas escolas e campanhas de mobilização. Contudo, a evasão entre a primeira e a segunda dose da vacina tríplice viral ultrapassa 50% em estados como Acre e Pará.

Problemas logísticos, como a falta de horários adequados nos postos de saúde, dificultam o acesso à vacinação. Uma pesquisa da Confederação Nacional de Municípios revelou que uma em cada três cidades relatou falta de vacinas. Para reverter essa situação, é essencial que as esferas de governo trabalhem em conjunto, garantindo que as vacinas cheguem à população e evitando que a vulnerabilidade aumente.

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