- A Anvisa aprovou a extensão do uso do DIU hormonal Mirena de cinco para oito anos.
- A mudança é baseada em um estudo que comprova a eficácia do dispositivo nesse período.
- O estudo envolveu três mil trezentas e trinta mulheres e mostrou que a taxa de falha contraceptiva permanece estável.
- A Conitec também aprovou o uso do Mirena para tratamento de endometriose no Sistema Único de Saúde (SUS).
- O dispositivo é utilizado off label para tratar miomas e menorragia, mas sem comprovação de eficácia prolongada nessas indicações.
O DIU hormonal Mirena, que libera levonorgestrel, teve seu tempo de uso para contracepção estendido de cinco para oito anos pela Anvisa. A mudança, respaldada por um estudo publicado no *American Journal of Obstetrics and Gynecology*, comprova que a eficácia do dispositivo permanece alta até o oitavo ano. O estudo, que envolveu 3.330 mulheres, demonstrou que o índice de falha contraceptiva se mantém estável, permitindo maior flexibilidade para as usuárias.
O médico ginecologista Eli Lakryc, vice-presidente de assuntos médicos da Bayer, destaca que a extensão do prazo é uma opção que proporciona mais liberdade às mulheres. “É o mesmo Mirena, com a mesma quantidade de hormônio, mas esse estudo comprovou que é eficaz por até oito anos”, afirma. A aceitação do método contraceptivo de longa duração tem crescido globalmente, refletindo uma tendência de busca por opções mais duradouras.
Novas Indicações
Além da contracepção, a Conitec aprovou recentemente o uso do Mirena para o tratamento de endometriose no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa decisão, que ainda precisa passar por consulta pública e parecer final, representa um avanço significativo no manejo da condição. O dispositivo também é utilizado off label para tratar miomas e menorragia, embora não haja estudos que comprovem a eficácia prolongada nessas indicações.
A ginecologista Ilza Maria Urbano Monteiro, da Febrasgo, considera a extensão do uso do Mirena muito positiva, pois muitas mulheres que se beneficiavam do dispositivo precisavam retirá-lo após cinco anos. A mudança também pode otimizar recursos de saúde, reduzindo o número de trocas e consultas médicas. Contudo, ela alerta que, apesar da baixa taxa de falhas, o risco de gravidez persiste durante todo o período de uso.
O Mirena, que já está no mercado há 25 anos, continua a ser um produto médico relevante, com novas indicações surgindo ao longo do tempo. A ampliação do tempo de uso e as novas aprovações são passos importantes para melhorar a saúde reprodutiva das mulheres no Brasil.
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