- A audiência no Supremo Tribunal de Israel avalia a prorrogação da detenção de Hussam Abu Safiya, médico de Gaza, sob a Lei de combatentes ilegais.
- Abu Safiya, de 52 anos, está preso desde dezembro de 2024 sem acusações formais, baseando-se em alegações secretas; recentemente foi colocado em confinamento solitário.
- A imagem dele, exibida por videoconferência durante a sessão, mostrou o médico visivelmente demacrado e mais magro; a sala permitiu entrada de um pequeno grupo de jornalistas.
- A prisão mobiliza a comunidade internacional, com pedidos de liberação vindos da Organização Mundial da Saúde, Cruz Vermelha Internacional e Amnistia Internacional.
- O filho Ilias descreve emoção e orgulho ao ver o pai, e o advogado afirma que informações confidenciais impedem revelar detalhes, apesar da defesa pedir tratamento médico adequado.
O médico de Gaza Hussam Abu Safiya apareceu pela primeira vez em mais de um ano em uma audiência a portas fechadas no Tribunal Supremo de Israel. O hospitalar pediatra, detido desde dezembro de 2024 sem acusações formais, é alvo de uma prorrogação de prisão em regime de combatentes ilegais, com base em acusações secretas que não foram apresentadas aos seus advogados.
A sessão, realizada em Jerusalém, envolve a extensão por mais tempo da detenção de Abu Safiya, preso no norte de Gaza após críticas públicas à invasão israelense. A audiência busca decidir se a detenção continuará por novo período, com base em informações confidenciais alegadas pela acusação.
Abu Safiya, 52 anos, dirigiu o hospital Kamal Adwan, hospital de referência no norte da Faixa de Gaza, e tornou-se voz ativa contra a deterioração do sistema de saúde na região durante o cerco. Seu caso ganhou apoio internacional de organizações como a Organização Mundial da Saúde, Cruz Vermelha e Amnistia Internacional.
A defesa afirma que o médico está sendo mantido sem acesso adequado a defesa jurídica e sem cargos formais. O serviço penitenciário israelense indicou que a decisão de locais de detenção obedece a critérios profissionais, operacionais e de segurança, e não por punição direta.
O advogado de Abu Safiya, Nasser Abu Odeh, descreveu a prorrogação como parte de uma prática punitiva. Ele destacou que a acusação utiliza informações confidenciais para justificar a continuidade do encarceramento, sem a apresentação de acusações formais ao juiz.
No encerramento da audiência, o irmão do médico, Ilias Abu Safiya, que vive no exterior, pediu que as autoridades permitam vistas regulares para monitorar o estado de saúde de seu pai. O deputado Ahmed Tibi, do partido árabe Ta’al, também acompanhou a sessão para indicar solidariedade à família e à população palestina em Israel.
Caso traz à tona críticas sobre condições carcerárias em Israel e sobre o uso de leis de combate ilegal para justificar detenções prolongadas. Relatos de organizações internacionais descrevem racionamento de alimentos, acesso irregular a atendimento médico e alegações de abusos, especialmente desde 2023.
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