Um novo relatório mostra que 70% dos sobreviventes do Holocausto devem morrer nos próximos dez anos, com a maioria tendo em média 87 anos. O estudo, feito pela Claims Conference, alerta para a necessidade urgente de registrar as histórias dessas pessoas que viveram momentos terríveis. Aproximadamente 50% dos sobreviventes devem falecer nos próximos seis anos e 90% nos próximos 15 anos, devido à saúde frágil e traumas do passado. O número de sobreviventes é incerto, mas é muito menor do que antes da guerra, quando seis milhões de judeus foram mortos. Em Israel, onde vive metade dos sobreviventes, a população deve cair de 110.100 para 62.900 até 2030. Nos Estados Unidos, a redução será de 39%, passando de 34.600 para 21.100. Em países da antiga União Soviética, a queda pode chegar a 54%. Gideon Taylor, presidente da Claims Conference, destaca que é crucial ouvir essas vozes antes que desapareçam. Albrecht Weinberg, um sobrevivente de 100 anos, expressa sua preocupação sobre o futuro, dizendo que quando sua geração não estiver mais aqui, as próximas só poderão ler sobre o Holocausto em livros.
Relatório aponta que 70% dos sobreviventes do Holocausto morrerão em 10 anos
Um novo relatório divulgado nesta terça-feira (22) revela que 70% dos sobreviventes do Holocausto não estarão mais vivos nos próximos dez anos. A pesquisa destaca a urgência de registrar os relatos em primeira mão de uma geração que vivenciou um dos piores horrores da história.
Atualmente, a idade média dos sobreviventes é de 87 anos, com mais de 1.400 pessoas com idade superior a 100 anos. O estudo, publicado pela Conferência de Reivindicações de Materiais Judaicos contra a Alemanha (Claims Conference), analisou projeções populacionais e taxas de mortalidade até 2040.
De acordo com o relatório, intitulado “Testemunhas Desaparecendo”, cerca de 50% dos sobreviventes do Holocausto morrerão nos próximos seis anos, e 90% nos próximos 15 anos. A fragilidade da saúde e os traumas sofridos na juventude agravam a situação.
O Holocausto resultou no assassinato de seis milhões de judeus europeus pelos nazistas e seus colaboradores. O número exato de sobreviventes é incerto, mas estima-se que seja muito menor do que a população judaica europeia antes da guerra.
A pesquisa aponta que as taxas de mortalidade variam de acordo com o acesso à saúde e a estabilidade econômica. Em Israel, que abriga cerca de metade dos sobreviventes, a população deve diminuir de 110.100 para 62.900 até 2030, uma queda de 43%.
Nos Estados Unidos, a projeção é de uma redução de 39%, passando de 34.600 para 21.100 sobreviventes no mesmo período. Países da antiga União Soviética devem registrar uma queda ainda maior, de 54%, com a população de sobreviventes caindo de 25.500 para 11.800 até 2030.
“Este relatório é um lembrete contundente de que nosso tempo está quase acabando, nossos sobreviventes estão nos deixando e este é o momento de ouvir suas vozes”, afirmou Gideon Taylor, presidente da Claims Conference.
Albrecht Weinberg, um sobrevivente de 100 anos da Alemanha, que perdeu quase toda a sua família no Holocausto, relata que as memórias horríveis o assombram. “Eu durmo com isso, acordo com isso, sudo, tenho pesadelos; este é o meu presente”, disse. Ele expressa preocupação com o que acontecerá quando não puder mais testemunhar os horrores que vivenciou. “Quando minha geração não estiver mais neste mundo, quando desaparecermos do mundo, então a próxima geração só poderá ler sobre isso em um livro”, lamentou.
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