- A KPMG confirmou vazamento de informações confidenciais da Optus por funcionários que disputavam o contrato de auditoria com a Telstra e também monitoraram o notebook de um denunciante.
- O presidente da empresa revelou que colaboradores que auditaram a Optus repassaram informações não redigidas à equipe da licitação da Telstra.
- O ex-presidente-executivo Andrew Yates afirmou ter pedido demissão em maio, motivado pelas evidências de vazamentos; ele recebeu 1,7 milhão de dólares pelo período de aviso prévio e 2,4 milhões de dólares na aposentadoria, conforme acordo societário.
- O Chartered Accountants Australia and New Zealand está investigando Yates e outras 11 pessoas; as diretoras Eileen Hoggett e Paul Rogers afastaram-se de auditorias e são objeto de apuração pela Comissão de Valores Mores da Austrália.
- Parlamentares apontam falhas na cultura interna, com buscas no computador do denunciante em 2024 e relatos de retaliação, indicando que a empresa priorizava lucro sobre integridade e bem‑estar.
O que aconteceu foi que a KPMG confirmou uma nova violação ética, após funcionários vazarem informações confidenciais da Optus durante a concorrência para auditoria da Telstra. Além disso, a empresa monitorou o notebook de um denunciante e o descartou como alguém com queixas no ambiente de trabalho.
O incidente envolve a KPMG, a Optus, a Telstra e o denunciante que levou o caso ao parlamento. A confirmação ocorreu em uma audiência pública de uma comissão conjunta no Australian Capital Territory, em Canberra, na última sexta-feira.
Os fatos remontam a divulgações públicas feitas pela senadora Deborah O’Neill em 24 de março, sob privilégio parlamentar, que trouxeram o testemunho do denunciante à tona. A KPMG havia negado, depois admitiu vazamentos de informações confidenciais da Lendlease e de outra parte ligada ao caso.
Natureza dos vazamentos e consequências iniciais
O presidente da KPMG, Martin Sheppard, afirmou pela primeira vez que a equipe que auditava a Optus repassou informações confidenciais não redigidas aos colegas que disputavam o contrato com a Telstra. A afirmação ocorreu durante a audiência em Canberra.
Saída de executivos e motivação
O ex-CEO Andrew Yates disse que a confirmação do vazamento da Optus influenciou sua decisão de deixar a companhia em maio. Yates recebeu 1,7 milhão de dólares em aviso prévio e 2,4 milhões de dólares de aposentadoria, conforme acordo de parceria.
Investigações e desdobramentos institucionais
A Chartered Accountants Australia and New Zealand abriu investigação sobre Yates e 11 pessoas adicionais. A executiva-chefe da CAANZ, Ainslie van Onselen, classificou o comportamento como indignante. Os parceiros Eileen Hoggett e Paul Rogers se afastaram de trabalhos de auditoria e são investigados pela ASIC por suposta participação no vazamento de informações da Lendlease.
Relação com Lendlease e histórico de contrato
Tony Lombardo, CEO da Lendlease, informou que a empresa foi informada pela KPMG de que as denúncias de vazamento haviam sido apuradas em maio de 2025, mas não recebeu atualizações até março. A KPMG gerenciou o contrato de auditoria da Lendlease por 68 anos e pode buscar reembolso de custos.
Outros pontos sob escrutínio
A auditoria da Westpac também é citada em investigações, com alegações de que a KPMG teria recebido orientações inadequadas durante a licitação e a conquista do contrato.
Cultura organizacional e tratamento do denunciante
O comitê questionou a forma inicial de lidar com o denunciante, tratada como questão de recursos humanos. O ex-chefe de auditoria Julian McPherson autorizou a busca no notebook do denunciante em 30 de maio de 2024, após ele ter alertado sobre retaliação.
Depoimentos e impactos humanos
O denunciante passou a alegar retalição e descreveu uma cultura de medo na empresa, ligada a ganhos financeiros. McPherson informou que houve várias buscas de computador em 2024. Yates afirmou que a empresa poderia ter conduzido o processo de maneira mais humana.
Situação atual e próximos passos
Lendlease busca um novo auditor e planeja cobrar custos adicionais da KPMG, conforme relato da comissão. A KPMG continua a enfrentar investigações sobre conduta de seus parceiros e funcionários no período questionado.
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