- Os maiores bancos do mundo financiaram fossil fuels com US$ 906 bilhões em 2025, aumento de cerca de US$ 64 bilhões ( quase 8% ) em relação a 2024.
- A JPMorgan Chase permaneceu como principal financiadora de combustíveis fósseis, com US$ 58 bilhões no ano, alta de 13% ante 2024.
- Bank of America ficou em segundo lugar, seguido por MUFG e Mizuho Financial, completando o top cinco com a Citi; o Barclays aparece em oitavo.
- O estudo aponta concentração do crédito em meio a um grupo de grandes instituições, com o chamado grupo “doze sujos” responsável por cerca de 40% de todo o financiamento do setor.
- Quase todo o financiamento vem de seis jurisdições — EUA, Canadá, Japão, China, Reino Unido e União Europeia — e houve aumento significativo de empréstimos para expansão de infraestrutura de óleo e gás existente.
O dinheiro das maiores instituições financeiras do mundo continua alimentando o setor de combustíveis fósseis. Segundo um novo relatório, os 65 maiores bancos financiaram US$ 906 bilhões ao petróleo, gás e carvão em 2025, um aumento de quase 8% em relação a 2024. O levantamento aponta que esse patamar representa um entrave a acordos internacionais para frear o aquecimento global.
O estudo, conduzido por uma coalizão de organizações ambientais, classifica as decisões de investimento como incompatíveis com metas de limitar o aquecimento a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. O relatório aponta uma concentração desse financiamento em um grupo restrito de instituições e jurisdições.
JPMorgan Chase again ocupa a liderança entre financiadores de combustíveis fósseis, com US$ 58 bilhões destinados ao setor em 2025, alta de 13% frente a 2024. A Bank of America aparece em segundo lugar no ranking, seguido por MUFG e Mizuho Financial, do Japão. Citi fecha o grupo dos cinco maiores, com Barclays ocupando a oitava posição entre os bancos britânicos.
Principais financiamentos e protagonistas
O levantamento aponta que, somando 2025, os grandes bancos injetaram US$ 508 bilhões na expansão de ativos fósseis já existentes, alta de 27% frente a 2024. Entre os maiores tomadores de recursos estão Venture Global, Enbridge e Energy Transfer, todos operadores relevantes de petróleo e gás. O relatório destaca que a maior parte do financiamento vem de seis jurisdições: EUA, Canadá, Japão, China, Reino Unido e União Europeia.
Contexto econômico e respostas
O documento reforça que, desde o acordo de Paris, as instituições têm dirigido recursos de alta escala para exploração de carvão, petróleo e gás, com acumulação de US$ 8,7 trilhões nesse período. Cientistas apontam que o limite de 1,5°C pode ser ultrapassado de forma iminente, com anos recentes de recordes de calor que devem se intensificar na próxima década.
A reportagem menciona ainda o cenário político, incluindo tensões geopolíticas que elevam o custo de energia, e observa que várias grandes bancos já haviam anunciado metas de redução de emissões. No entanto, diante de pressões políticas e decisões tomadas em grandes centros financeiros, houve recuos e ajustes de compromisso. As instituições comentadas não abriram mão de seus posicionamentos, apresentando, cada uma, justificativas sobre a continuidade de financiamentos para uma transição energética.
Reações e dados adicionais
Especialistas ressaltam que a concentração de financiamento em um grupo restrito de bancos persistiu, com uma parcela significativa do dinheiro vindo de poucos emissores. O estudo cita ainda que, apesar de anúncios anteriores, muitos bancos optaram por manter ou ampliar o apoio a projetos fósseis, mantendo o debate sobre o papel regulatório e a necessidade de políticas públicas para induzir mudanças no setor financeiro.
Um porta-voz de Bank of America informou que a instituição atua atendendo clientes de energia renovável e tradicional, com foco na confiabilidade e na segurança de longo prazo. Um porta-voz do Citi afirmou compromisso com a transição de baixo carbono e com metas de financiamento sustentável, sem detalhar números adicionais.
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