- Estudo da B2B Stack, com cerca de 19 mil avaliações, mostra desperdício silencioso quando ferramentas compradas não são usadas de fato.
- Um sinal é o trabalho migrar para fora da plataforma, com planilhas paralelas, mensagens informais e controles manuais.
- Licenças pagas ficam ociosas: módulos pouco usados e a operação fica dependente de poucas funções, gerando fragmentação.
- O sistema passa a depender de poucas pessoas, indicando onboarding falhou e necessidade de treinamento contínuo.
- Suporte caro e falhas técnicas, junto com falta de integração com outras plataformas, elevam retrabalho e levam a improvisos.
A B2B Stack revelou que o desperdício silencioso aparece quando ferramentas contratadas pelas empresas não são usadas na prática. O estudo, com cerca de 19 mil avaliações de usuários corporativos, aponta que simplicidade, estabilidade e usabilidade moldam o valor percebido ao longo do tempo. Profissionais que convivem com a operação tendem a ser mais críticos que as lideranças.
Segundo o levantamento, a adesão cai por desvios graduais: uso de planilhas paralelas, atalhos informais e dependência de poucos para operar sistemas que deveriam atender a toda a equipe. Também há impacto da implementação rápida sem ajuste operacional nem engajamento dos usuários.
Thiago Muniz, professor da Fundação Getulio Vargas e CEO da B2B Stack, destaca que muitas empresas conseguem implantar ferramentas, mas falham na integração à rotina de trabalho. Sem adaptação, o sistema vira mais uma camada de complexidade.
Sinais de subutilização aparecem na prática
O trabalho migra para fora da plataforma, com planilhas e controles manuais surgindo quando a ferramenta é percebida como lenta e burocrática. Atalhos para evitar o software oficial indicam que ele já não organiza o fluxo de trabalho.
Licenças e funcionalidades subaproveitadas
Módulos pouco acessados e uso restrito a funções específicas indicam descompasso entre o contratado e o que é utilizado. Áreas distintas recorrem a soluções paralelas, aumentando a fragmentação e a falta de padronização.
Dependência de poucos operadores
Quando apenas alguns profissionais operam a plataforma com autonomia, o onboarding falhou. Sem treinamento contínuo, novos colaboradores demoram a ganhar ritmo, concentrando processos em “especialistas internos”.
Suporte que se torna rotina
Chamados frequentes e demora no atendimento desgastam a relação com a ferramenta. Funcionários simplificam etapas por conta própria ou buscam alternativas externas para manter a produtividade.
Integração com o restante da empresa
Ferramentas sem integração geram retrabalho, com informações transferidas manualmente e cadastros duplicados. A operação tende a se tornar mais fragmentada e trabalhosa.
O recado para quem decide investir
Muniz aponta que o retorno da tecnologia depende da incorporação à operação. Não existe receita única; é preciso acompanhar o uso real, envolver equipes na implementação e priorizar integrações que reduzam retrabalho entre áreas. Sem esse monitoramento, o risco é manter plataformas pouco utilizadas e elevar custos.
Em muitos casos, softwares permanecem contratados por anos mesmo após perder espaço na rotina. O estudo reforça que a avaliação de investimentos deve considerar a adesão prática e a melhoria efetiva de processos.
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