- A Oncoclínicas tem atrasado fornecimento de quimioterápicos e outros medicamentos, levando remarcações de tratamentos em várias unidades devido a dificuldades de liquidez.
- Fornecedores passaram a restringir entregas por receio de inadimplência, causando adiamentos de terapias com previsão de normalização incerta.
- A empresa informou que está passando por um processo estruturado de otimização financeira e operacional, com monitoramento e priorização assistencial para manter atendimento de maior necessidade clínica.
- A situação envolve caixa em patamar próximo de R$ 100 milhões e dívida bruta de R$ 4,8 bilhões; há negociação de venda de ativos para uma joint venture com Porto e Fleury, avaliada em R$ 500 milhões.
- A Oncoclínicas adiou a divulgação de resultados de 2025 para 9 de abril e convocou debenturistas para pedir waivers de covenant; outras opções de reestruturação também são discutidas.
A crise de liquidez atinge a Oncoclínicas, que tem atrasado o fornecimento de quimioterápicos e de outros oncológicos em várias unidades. A medida ocorre em meio a ajustes operacionais para manter o atendimento, conforme apurado pela Bloomberg Línea com fontes próximas à operação.
Segundo as fontes, fornecedores restrigiram o abastecimento devido a receio de inadimplência, o que levou a remarcações de tratamentos na maioria das unidades. Pacientes tiveram sessões adiadas em diferentes regiões do país, sem previsão de normalização.
A companhia confirmou, por meio de nota, que conduz um processo estrutural de otimização financeira e operacional. O objetivo é manter a continuidade do atendimento, com monitoramento e priorização assistencial. A empresa não divulgou números de pacientes afetados.
Fornecedores
Um dos principais fornecedores é a Oncoprod, distribuidora ligada ao Grupo SC. A empresa informou que não houve suspensão formal das entregas, mas o crédito está sendo utilizado de forma restrita e novas remessas dependem de pagamentos.
A Oncoprod teria atingido o limite de exposição com a Oncoclínicas e só liberaria novas remessas conforme os pagamentos são realizados, segundo a fonte. A Oncoprod não comentou o assunto.
Pressão financeira e perspectivas
A Oncoclínicas adiou a divulgação do balanço para 9 de abril, e a posição de caixa estaria pouco acima de R$ 100 milhões em avaliação interna. A dívida bruta da companhia é estimada em R$ 4,8 bilhões, de acordo com a Fitch, que rebaixou o rating para nível pré-calote.
Uma possível solução em debate envolve a venda de ativos oncológicos para uma joint venture controlada por Porto e Fleury, avaliada em cerca de R$ 500 milhões. Analistas apontam riscos de governança e descredenciamento com planos de saúde.
A empresa convocou assembleias de debenturistas para solicitar waivers de quebra de covenants e evitar inadimplência, caso o índice de alavancagem extrapole o limite. O balanço do quarto trimestre pode mostrar quebra de covenant, segundo fontes da rede.
Contexto acionário e desinvestimentos
Entre os acionistas, Latache defendia não comprometer caixa com hospitais, posição reiterada por executivos. Em 2025, houve descontinuidade de operações na Arábia Saudita, anunciada em 2024, sem geração de liquidez adicional.
O grupo também avaliou outras alternativas, como reestruturar dívidas sem fusão, reafiliação de ativos e revisões de receitas. A negociação com Porto e Fleury já teve acesso aos dados de 2025 em processo de due diligence.
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