- A possibilidade de retorno à Venezuela ganhou força entre venezuelanos no sul da Flórida após a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, ainda que haja dúvidas enquanto o chavismo permanece no poder.
- Líderes da oposição no exílio dizem que a transição depende da queda total do regime e do desmantelamento de órgãos de repressão; não há datas para o retorno.
- Estados Unidos mantém relação com a presidente interina Delcy Rodríguez e planeja uma transição em três fases, incluindo restauração da infraestrutura e privatização parcial do setor petrolífero.
- Alguns venezuelanos ventilam voltar para trabalhar em projetos de reconstrução e recuperação econômica, apesar do medo e da incerteza sobre a segurança no país.
- O mercado imobiliário da Flórida registra aumento de consultas de venezuelanos pensando em vender ou retornar, elevando o tom de planejamento entre os que vivem no exterior.
En Florida, muitos venezuelanos da diáspora começam a considerar o retorno à Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro. A mudança de cenário político local abre a hipótese de regressar, embora persista a dúvida enquanto o chavismo permanece no poder.
O levantamento ocorre no sul da Flórida, onde vive a maior parte da comunidade venezuelana nos EUA. O tema emerge entre exilados que migraram há anos em busca de oportunidades e segurança, e que agora avaliam se a volta seria viável ou apenas hipotética.
Edgar Simón Rodríguez, coordenador de Vente Venezuela nos EUA, diz que a captura de Maduro marca o começo de uma transição ainda frágil. O alvo é desmantelar estruturas repressivas, mas não há datas definidas nem garantias de mudanças rápidas.
Jorge Andrés Galicia, advogado venezuelano em Miami, comenta que a volta dependerá de segurança e de avanços reais no terreno. Ele acrescenta que, enquanto o chavismo permanecer nas instituições, não há democracia plena, o que adia planos de retorno.
A transição no radar internacional
O governo dos EUA mantém diálogo com a liderança interina de Delcy Rodríguez, buscando apoiar etapas de restauração da infraestrutura, da economia e, por fim, de eleições democráticas. A última marcha envolve a reforma de lei de hidrocarbonetos, abrindo espaço para privatizações no setor.
Passos da estratégia americana são vistos com cautela por exilados. Para Simón, o tempo de transição é crucial e as vidas de presos políticos e famílias seguem em risco. Já Galicia destaca que a saída do chavismo é condição essencial para uma democracia genuína.
As mudanças viram tema de debate entre quem planeja permanecer nos EUA e quem cogita retornar. Além disso, cresce a observação sobre o mercado imobiliário do sul da Flórida, com aumento de consultas de venezuelanos que avaliam vender imóveis ou voltar.
Planos de retorno e realidades
No aeroporto de Miami, Carlos — nome alterado — aguarda voo para República Dominicana e, de lá, para a Venezuela. Ele relata ter trabalhado em múltiplos setores nos EUA e diz que a decisão foi motivada pela percepção de insegurança no país de origem.
Outro venezuelano relata a busca por reconstrução de infraestrutura na Venezuela, sem estimativas de salário ou adaptação. A decisão de retornar é acompanhada de incertezas sobre a aceitação social e política no país.
Ao mesmo tempo, alguns moradores preferem não divulgar planos por receio de represálias. O debate sobre retorno permanece aberto, com relatos de nostalgia e de desejo de poder viver em um país estável, sem medo de perseguições.
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