- Em vinte e seis de novembro de dois mil e vinte e cinco, foi solicitado alvará de demolição do antigo Presídio do Hipódromo, em são paulo; o pedido foi indeferido em fevereiro por vício formal e, em março, houve novo pedido; em abril, com a liberação de alvarás pelo STF, a edificação ficou potencialmente sujeita à demolição a qualquer momento.
- Em vinte e sete de abril, a assessoria da vereadora amanda paschoal (psol) apresentou ao iphan requerimento de abertura de processo de tombamento federal com acautelamento provisório; assinam o documento o arquiteto e vereador nabil bonduki (pt), ex-presos políticos e pesquisador(es), incluindo deborah neves e hamilton pereira.
- O terreno de quatro mil quatrocentos metros quadrados foi integrado ao fundo de investimento imobiliário do estado (fiisp) em dois mil e vinte e quatro por onze milhões e cento e dez mil reais; em dois mil e vinte e cinco, escritura registrou a fiisp como proprietária, e em vinte e dois de setembro de dois mil e vinte e cinco o imóvel foi vendido por trinta e três milhões de reais, embora o atual proprietário não conste na matrícula.
- O prédio funcionou por décadas como posto de assistência policial, cadeia pública e presídio político, tendo abrigado dissidentes da ditadura, além de figuras públicas; foi usado também como cenário de produções audiovisuais e teatrais.
- Os requerimentos apontam o tombamento federal por valor histórico-político e arquitetônico, incluindo a preservação como sítio de memória; há ações populares e propostas de lei para impedir a demolição e promover musealização e reparação simbólica.
O Presídio do Hipódromo, antigo complexo no Brás, em São Paulo, corre o risco de demolição. Em 26 de novembro de 2025, houve pedido de alvará para demolição assinado pela arquiteta Bruna Santini Cortez. O processo enfrentou indeferimento por vício formal e, em seguida, nova solicitação foi encaminhada. A planta recebeu visitas da prefeitura, e a demolição pode ocorrer a qualquer momento.
Em contrapartida, em 27 de abril de 2025, assessoria da vereadora Amanda Paschoal (PSOL) protocolou no IPHAN um requerimento de tombamento federal com pedido de acautelamento provisório. Assinam o documento nomes como Nabil Bonduki (PT) e ex-presos políticos, entre eles Maurício Politi, Amelinha Teles e Crimeia de Almeida. O objetivo é preservar o imóvel como sítio de memória.
No mesmo fluxo, Bonduki e Paschoal encaminharam pedido semelhante ao DPHi e ao CONPRESP para avaliação de tombamento municipal. O movimento visa resguardar o prédio, que já foi utilizado como local de prisão político durante a ditadura civil-militar e hoje figura como referência histórica.
O terreno, de cerca de 4,4 mil metros quadrados, foi incorporado ao FIISP em 2024 por R$ 11,1 milhões e, em setembro de 2025, vendido por R$ 23 milhões. A matrícula não aponta o atual proprietário, enquanto a administradora fiduciária Singulare foi adquirida pela QI Tech em 2023, gerando dúvidas sobre a identificação do comprador.
Historicamente, o Hipódromo funcionou como posto de assistência policial, cadeia pública e unidade da Fundação CASA. Na ditadura, abrigou dissidentes políticos, jornalistas e artistas, incluindo Rita Lee e José Genoino. A memória do local é registrada pelo Memorial da Resistência e por pesquisas da UFMG sobre locais de violação de direitos humanos.
Contexto histórico e impactos culturais
A edificação também entrou para o circuito audiovisual: foi cenário de O Beijo da Mulher-Aranha e de cenas de Carandiru. Após o fechamento em 1995, serviu de locação para produções como Torre de Babel e Irmandade, além de eventos teatrais no espaço.
O movimento atual envolve ações legais, ações populares e requerimentos para tombamento, destacando-se pela tentativa de acautelamento imediato. Há resistência de agentes públicos e da sociedade civil para evitar a demolição e promover memória e reparação.
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