- Governo brasileiro intensifica fiscalização na Terra Indígena Piripkura e mostra queda do desmatamento em 2025, segundo análise por satélite.
- Ainda existem cerca de 1.000 cabeças de gado deixadas pelos invasores, sem autorização federal para remoção.
- A presença de gado incentiva novas entradas de criadores na área, embora parte do rebanho já estivesse lá antes.
- A Terra Indígena, que tem 242.405 hectares, abriga dois Piripkura em isolamento voluntário e corre risco durante o processo de demarcação.
- Ordem de uso de território existe desde 2008; decisão judicial provisória permite permanência de alguns ranchers até a conclusão da demarcação, com operações de proteção em curso.
A operação do governo brasileiro contra invasores que ocuparam a Terra Indígena Piripkura, no Mato Grosso, vêm produzindo resultados parciais. Dados de satélite indicam queda no desmatamento em 2025, após ações de fiscalização e pressões legais sobre grileiros na área habitada por Piripkura isolados.
A Terra Indígena Piripkura, com 242 mil hectares, fica no oeste do estado. Segundo o representante da Funai responsável pela proteção de povos isolados, parte dos Piripkura já se isolou há décadas. A área tem registrado restrições de uso para impedir a entrada de invasores desde 2008, mas o demarcamento segue emperrado.
Apesar dos avanços no controle do desmatamento, autoridades afirmam que cerca de 1.000 bovinos deixados pelos invasores permanecem na região e ainda não há autorização do governo federal para removê-los. A permanência dos animais dificulta a fiscalização e incentiva novos ingressos para manejo.
A presença de gado atrai pecuaristas a retornar à terra para cuidar dos animais, mesmo que parte deles permaneça de forma legítima. A logística de remoção fica prejudicada pela necessidade de autorização federal para operações de maior escala.
Situação dos bovinos e entraves legais
Um oficial do IBAMA que coordena operações na região afirmou que, embora as ações de combate ao desmatamento tenham reduzido a ocupação ilegal, a obtenção de autorizações para retirar os bovinos ainda não foi concluída. A ausência de licenças impede ações mais efetivas contra o gado remanescente.
A gestão das terras é acompanhada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e pela Frente de Proteção Étnico-Ambiental Madeirinha-Juruena. As atividades de monitoramento permanecem ativas, com base instalada na região para fiscalização constante.
Segundo fontes, a demora em resolver o status formal da terra — demarcá-la de forma definitiva — alimenta a expectativa de que áreas possam ser reabertas para exploração, o que sustenta a presença de invasores na região. Procuradas, associações de criadores do estado não responderam até o fechamento deste texto.
Entretanto, autoridades ressaltam que a demarcação rápida é essencial para reduzir riscos de novas invasões. A defesa de povos isolados aponta que medidas protetivas precisam acompanhar o monitoramento para evitar retrocessos.
Relatórios recentes da OPAN apontam potencial impacto de atividades minerárias na região, com licenças em análise para cobre, além de permissões de mineração artesanal em rios próximos. A existência dessas permissões pode complicar a proteção da terra e da qualidade da água para os Piripkura.
Em fevereiro de 2026, fiscais do MPI, Funai e a Força Nacional integraram inspeção que identificou novas queimadas, aberturas de estradas ilegais e pastagens dentro da terra indígena. Imagens de satélite confirmam o avanço de vias e áreas de pastagem, reforçando a necessidade de ações coordenadas para conter danos ambientais.
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