- Em abril, duas baleias Bryde’s apareceram mortas em Dyer Island, com ferimentos de hélice, indicando colisões com navios.
- As mortes estão associadas ao aumento do tráfego marítimo ao redor da costa da África do Sul, resultante de desvios de rotas por conflitos no Red Sea e pelo bloqueio do estreito de Hormuz.
- Entre dezembro de 2023 e dezembro de 2024, o número de grandes embarcações passando pelas águas sul-africanas a velocidades superiores a 15 nós quadruplicou, segundo dados de satélite.
- A pesquisadora Els Vermeulen trabalha para conectar especialistas e desenvolver diretrizes nacionais para navegação na região, com base em práticas internacionais, para reduzir o risco de colisões com baleias.
- Medidas consideradas incluem limites de velocidade, rotas alternativas e observadores marinhos a bordo; ainda não há diretrizes obrigatórias na África do Sul.
Entre abril deste ano, dois baleias-de-Bryde apareceram mortas em Dyer Island, reserva natural costeira na Western Cape, África do Sul. Os animais apresentavam ferimentos graves, com vértebras esmagadas, sinais de colisão com embarcações.
Loraine Shuttleworth, pesquisadora-chefe do Dyer Island Conservation Trust, identificou marcas de hélice e confirmou que os corpos estavam partidos. O aumento de incidentes marítimos ocorreu em meio ao redesenho de rotas de navios para contornar conflitos no Oriente Médio.
O estudo aponta que o maior tráfego marítimo ocorreu após ataques no Red Sea e bloqueio do Estreito de Hormuz, levando companhias a contornar o Cabo da Boa Esperança. Dados de satélite indicam que entre dez/2023 e dez/2024 o tráfego de grandes navios acima de 15 nós dobrou.
Risco e respostas
Els Vermeulen, do Mammal Research Institute da Universidade de Pretória, liderou a pasta que liga deslocamentos de navios a habitats de baleias. Usando dados do Global Fishing Watch, a equipe mapeou sobreposição entre rotas e áreas de baleias de espelhos, incluindo Bryde’s.
Em abril, Vermeulen apresentou resultados à Comissão Internacional da Vieira (IWC), destacando que não é necessário quantificar todos os impactos para reconhecer o risco aumentado com mais navios na zona de habitat das baleias.
Vermeulen trabalha com o governo sul-africano e stakeholders para desenvolver diretrizes nacionais para navios, alinhadas a práticas internacionais, incluindo as da Organização Marítima Internacional. Medidas de mitigação incluem reduzir velocidades e traçar rotas alternativas.
Entre as propostas, destacam-se limites de velocidade, como a adoção de 10 nós em áreas sensíveis, prática já aplicada em partes da costa leste dos EUA. No momento, não há ridicularização de limites obrigatórios na África do Sul. A redução de velocidade poderia começar rapidamente, enquanto estudos adicionais definem rotas mais seguras.
Shuttleworth lembra que as colisões afetam também outras espécies marinhas, como pinguins africanos. Ela aponta que a observação de mamíferos marinhos a bordo pode ajudar a reduzir riscos, assim como rotas alternativas que, segundo as modelagens, reduziriam o risco entre 20% e 50% sem elevar muito o tempo de viagem.
O Ministério do Desenvolvimento Florestal, Pesca e Meio Ambiente confirmou conversas sobre o tema, com a participação de autoridades e o setor. O governo participa de discussões para alinhar diretrizes voluntárias, enquanto faltam dados sistemáticos sobre distribuição de baleias para orientar rotas definitivas.
O tema permanece complexo: maior tráfego coincide com recuperação de algumas populações de baleias, elevando a convivência com espécies vulneráveis. Pesquisas indicam que mortalidade associada a navios não é sempre detectada, o que dificulta a mensuração exata do problema.
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