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Estudo vazado alerta danos irreversíveis por mina de ferro na UNESCO da Guiné

Relatório vazado aponta danos irreversíveis ao Monte Nimba com a mina Kon Kweni; AGEE avaliará mitigação e pedirá parecer da UNESCO

Western chimpanzee (Pan troglodytes verus), Nzérékoré, Guinea. Image by augustofaustino via iNaturalist (CC BY-NC 4.0)
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  • O ministério do meio ambiente da Guiné vai revisar o estudo de impacto ambiental e social (ESIA) do projeto Kon Kweni, de mineração de ferro nas Montanhas Nimba, área protegida pela UNESCO.
  • O ESIA aponta que, na primeira fase, a extração seria de até 5 milhões de toneladas por ano, com construção de uma estrada de 40 metros de largura para ligar o pilha a uma usina a cerca de 6 quilômetros de distância.
  • O documento suspeita danos irreversíveis a habitats e espécies, incluindo mais de 135 espécies, como chimpanzés ocidentais, morcegos endêmicos e o sapo vivíparo de Mount Nimba.
  • A agência reguladora AGEE deverá avaliar os impactos, mitigar medidas e pode rejeitar o estudo ou exigir alterações; UNESCO e IUCN já expressaram preocupações sobre impactos ao site e à biodiversidade.
  • O ESIA apresentado cobre apenas a primeira fase; especialistas alertam que falta considerar fases futuras, impactos cumulativos e opções menos ambientais, o que pode complicar a aprovação.

The Ministério do Meio Ambiente da Guiné irá revisar, nas próximas semanas, a avaliação ambiental e social do projeto Kon Kweni, uma mina de ferro nas montanhas Nimba. O estudo aponta riscos diretos e significativos ao ecossistema do local, que é uma reserva de área protegida pela UNESCO. A decisão envolve autoridades nacionais, a empresa Ivanhoe e o patrimônio mundial.

A avaliação, divulgada de forma confidencial, foi encomendada pela Ivanhoe e executada pela consultoria francesa Biotope. O documento descreve como o concessionária planeja explorar a área, bem como os impactos esperados nos ecossistemas locais. A AGEE, braço regulador, deverá avaliar as propostas de mitigação apresentadas.

O ESIA considera dois momentos do projeto, com foco na primeira fase que pode produzir até 2 milhões de toneladas/ano, com potencial de expansão. Segundo o estudo vazado, a construção envolveria retirada de vegetação e a instalação de uma estrada de 40 metros de largura conectando o garimpo ao local de processamento.

Avaliação de impactos e governança

A obra prevê tráfego contínuo de caminhões de 90 toneladas, transporte do minério por vias alternativas e deslocamento até a fronteira com a Libéria, onde fica a cidade de Yekepa. Os impactos apontados incluem fragmentação de habitats, poluição, alterações de cursos de água e risco para espécies sensíveis.

Entre as espécies vulneráveis, o estudo cita o sapo vivíparo de Mont Nimba, chimpanzés ocidentais e morcegos endêmicos, apontando riscos de extinção ou de perda de habitat. Estimativas indicam 135 espécies potencialmente afetadas pelos efeitos da mineração.

O órgão regulador guineense considera que a avaliação deve incluir comparações com alternativas de menor dano, inclusive a não exploração. Caso contrário, pode pedir revisões ou rejeitar a proposta. A UNESCO também foi acionada para opinar sobre o ESIA.

Padrões internacionais e perspectiva de aprovação

A Ivanhoe assinou padrões de proteção ambiental da IFC, mas as avaliações levantam dúvidas sobre cumprimento integral. A análise aponta a necessidade de incluir todas as fases do projeto, desde a exploração até o fechamento e recuperação, o que ainda não consta integralmente no ESIA divulgado.

A IUCN já manifestou preocupações em comunicações anteriores, destacando que impactos podem comprometer o valor universal do sítio de Mount Nimba. A UNESCO aguarda avaliações detalhadas antes de qualquer decisão final de aprovação.

O resultado final depende da avaliação da AGEE, que poderá aprovar, exigir modificações ou rejeitar o projeto. Em caso de aprovação, poderá haver exigências para ampliar o ESIA ou considerar a viabilidade de fases subsequentes, conforme orientação internacional.

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