- Existem menos de mil tartarugas-verde-madura do leste do Pacífico; Lucero marca a primeira desova identificada no Equador, limite sul da área de nidificação.
- A tartaruga recebeu uma tag satélite durante o desembarque para monitorar migração e padrões de alimentação; a idade estimada é de 25 a 40 anos.
- A pesquisa é realizada pela Fundacion Reina Laud, com apoio do Leatherback Project; a fixação ocorreu enquanto a tartaruga desovava em uma praia remota.
- O objetivo é entender como uso de habitat e áreas de pesca se sobrepõem, para orientar pescadores e evitar incidentes de bycatch.
- A depender dos dados, a informação deve embasar políticas de conservação da subpopulação criticamente ameaçada; a tag deve permanecer por um a dois anos.
Faltam menos de 1.000 tartarugas-de-couro no Pacífico Leste, desovando ao longo do trecho entre México e Equador. Cientistas colocaram rastreadores em outras praias da América Latina, incluindo por pesca incidental, e agora etiquetaram pela primeira vez uma fêmea que desova no Equador.
A tartaruga, batizada de Lucero, que significa “estrela da manhã” em espanhol, tem idade estimada entre 25 e 40 anos. O objetivo é entender padrões de migração e alimentação para informar políticas de conservação da subpopulação criticamente ameaçada.
Lucero migrou para o Peru após a desova, segundo o rastreador. O equipamento deve permanecer acoplado por um a dois anos, com dados úteis para traçar rotas de migração e áreas de forrageio.
Sobre Lucero e a iniciativa
Pesquisadores da Fundação Reina Laud, do Equador, avistaram Lucero ao se aproximarem de uma praia remota para o amanhecer desova. O contato com Callie Veelenturf, bióloga marinha e criadora do Leatherback Project, facilitou a operação.
Para acompanhar o animal, a equipe posicionou observadores ao longo da praia com rádios, esperando o momento exato da desova para fixar o chip satelitar. A fêmea entra em estado similar a transe durante a postura, o que facilita a fixação.
Com o rastreador, cada respiração de Lucero envia sinais ao satélite, permitindo mapear movimentos e profundidades. Tartarugas-da-carapaça são encontradas em diversos oceanos, mas a subpopulação do Pacífico Leste caiu cerca de 98% nas últimas décadas.
Por que isso importa
A equipe busca mapear sobreposição entre uso de habitat e áreas de pesca, para orientar pescadores a evitar zonas frequentes por tartarugas. A intervenção pode reduzir incidentes de bycatch, um dos maiores riscos à espécie.
Pesquisadores destacam que tartarugas gigantes podem consumir grandes quantidades de águas-vivas, que, por sua vez, afetam peixes juvenis e larvas. Assim, populações saudáveis ajudam estoques pesqueiros locais e comunidades de pesca.
Perspectivas e próximos passos
O rastreador deverá fornecer dados sobre rotas de migração, horários de mergulho e áreas de forrageio de Lucero. A equipe espera que a coleta seja suficiente para delinear estratégias de proteção para a subpopulação.
O projeto enfatiza que ações coordenadas entre conservação, pescadores e comunidades locais são cruciais. O objetivo é reduzir conflitos entre atividades humanas e habitat das tartarugas sem comprometer a pesca na região.
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