- Documentos internos vazados mostram que a BHP atrasou ou suspendeu projetos de descarbonização no Pilbara, incluindo um impulso de quase 500 MW em energia renovável; o primeiro solar de 50 MW e a bateria de 20 MW no Jimblebar foram basicamente abortados após aprovação.
- Um grande sistema de quase 500 MW de solar, vento e baterias, capaz de abastecer uma cidade, foi significativamente adiado e não terá financiamento até, no mínimo, 2031.
- A BHP descartou a construção de uma usina de processamento de minério que poderia reduzir 1,7 milhão de toneladas de emissões por ano, mesmo com apoio de acionistas e metas de descarbonização.
- A mudança envolve atraso na eletrificação da frota de caminhões e trens, com a aquisição contínua de caminhões a diesel e investimentos de mais de 500 milhões de dólares em novas caminhões diesel, inclusive para o Jimblebar e possível nova mina em Ministers North.
- A empresa afirma que o progresso rumo a emissões líquidas zero depende de avanços tecnológicos em caminhões, trens e escavadeiras, enquanto segue com testes de caminhões e trilhos elétricos e usa energia solar para 30% das operações em Port Hedland.
O maior minerador do mundo, a BHP, divulgou atraso e redução de investimentos em medidas de descarbonização, segundo uma série de documentos internos obtidos por o Guardian e pela Four Corners, da ABC. O material mostra que projetos destinados a cortar emissões foram interrompidos ou adiados e que há estudos para adiar de forma relevante investimentos em energia renovável nas operações de minério de ferro no Pilbara, na Austrália Ocidental.
Os documentos indicam que a empresa chegou a considerar a inviabilidade de seu plano de descarbonização atual, citando atrasos tecnológicos como entrave. Em consequência, o calendário de implantação de tecnologias limpas passou a prever etapas mais tardias, com impacto potencial sobre metas públicas de redução de emissões.
O conteúdo, denominado BHP Files, revela que a primeira usina solar de 50 megawatts, associada a 20 megawatts de baterias no complexo Jimblebar, teve o financiamento aprovado pelo conselho em 2023, mas foi efetivamente suspensa pouco depois. Internamente, houve críticas de funcionários que questionaram a decisão de interromper um projeto já aprovado.
Além disso, quase 500 megawatts em solar, eólica e baterias, pensados para abastecer a rede que alimenta as operações do Pilbara, teriam sido significativamente atrasados e não receberiam financiamento até, no mínimo, 2031. O plano previa fornecer energia já a partir de 2027, com o objetivo de reduzir a dependência de fontes fósseis.
A investigação aponta ainda que a empresa abandonou, silenciosamente, a construção de uma usina de processamento de minério de ferro capaz de reduzir emissões em cerca de 1,7 milhão de toneladas por ano. O projeto era visto como alinhado ao plano de transição climática e recebia apoio de acionistas.
Paralelamente, a BHP manteve a aquisição de caminhões movidos a diesel, considerados uma das principais fontes de emissões, incluindo uma compra de mais de 500 milhões de dólares em novas unidades para o Jimblebar. Documentos indicam ainda planos para uso de caminhões a diesel em um novo sítio, o Ministers North.
A empresa afirma manter o foco em metas de redução de emissões, apontando queda de 36% nas emissões em relação aos níveis de 2020. Um porta-voz ressaltou que o progresso depende de avanços tecnológicos em caminhões, trens e bulldozers, que ainda não estão prontos para operação em larga escala.
Especialistas ouvidos e organizações ambientais criticaram a postura de desaceleração, associando-a ao risco de comprometer metas climáticas nacionais, como a redução de 43% abaixo de 2005 até 2030. A percepção é de que a atuação da BHP, pela sua dimensão, tem influência significativa na transição energética.
A indústria extrativa ressalta que a transição para mobilidade elétrica no setor é complexa e demandaria uma resposta coordenada de todo o setor. Em resposta, a BHP afirma que os avanços tecnológicos são cruciais e que a adoção de tecnologias limpas depende do desenvolvimento de soluções adequadas para o contexto de mineração australiano. A empresa já realiza pilotos de caminhões elétricos a bateria e de trens no Pilbara, além de utilizar energia solar para parte das operações em Port Hedland.
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