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Racismo ambiental e desigualdade nas baixadas de Belém

Racismo ambiental em Belém: baixadas expõem comunidades pobres a alagamentos, com políticas públicas ineficazes e investimentos concentrados nas áreas valorizadas

Foto: Bruno Cecim/Agência Pará
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  • Belém enfrenta racismo ambiental e desigualdade: as “baixadas” pobres são áreas historicamente excluídas, sujeitas a alagamentos e infraestrutura precária.
  • Ao longo do século XX, macrodrenagem e canalização aumentaram a vulnerabilidade, removendo mata ciliar e tornando a cidade menos resistente às chuvas.
  • Estudo do Serviço Geológico do Brasil apontou 32 áreas de alto risco e 93 de muito alto risco em Belém; outros levantamentos indicam pelo menos oitenta e cinco pontos de alagamento em bairros periféricos.
  • Projetos de revitalização ligados à imagem internacional da cidade se concentram em áreas valorizadas, enquanto comunidades periféricas continuam convivendo com enchentes e abandono.
  • A vida nas baixadas depende mais da solidariedade e da ação comunitária do que do Estado, com moradores improvisando estruturas de sobrevivência e abrigo durante enchentes.

Esse rio é minha rua: racismo ambiental e desigualdade nas baixadas de Belém.

Belém nasceu junto ao Rio Guamá e à Baía do Guajará, e a água moldou a cidade, a circulação e o modo de viver. Hoje, as cheias expõem cicatrizes históricas de exclusão.

Nas baixadas, áreas abaixo de quatro metros de altitude sofrem com marés, alagamentos e infraestrutura deficiente. A distância entre bairros valorizados e periféricos ficou marcada ao longo do tempo.

Entre 1996 e 2014, quase 98 mil negros morreram por falta de saneamento no Brasil; em Belém, a realidade não é diferente. A água não é apenas recurso, é resultado de políticas públicas.

Desigualdade e história urbana

Durante a Belle Époque amazônica, reformas buscavam modernizar a cidade sem enfrentar a vulnerabilidade das baixadas. A urbanização avançou, mas a dispersion de recursos permaneceu desigual.

Ao longo do século XX, macrodrenagem e canais artificiais aceleraram o escoamento, sem melhorar habitação e saneamento. A mata ciliar foi removida e a cidade passou a responder pior às chuvas.

Relatórios de 2021 mostraram alto risco geológico em 32 áreas e risco muito alto em 93, com mapeamento entregue à prefeitura. Cinco anos depois, esses diagnósticos não impulsionaram ações consistentes.

Há ao menos 85 pontos de alagamento em bairros como Pedreira, Marco, Jurunas e Condor, regiões periféricas próximas a canais. Proposta de revitalização ganhou destaque com a COP30, mas persiste a desigualdade.

Resistência comunitária

Enquanto some recebem o novo cartão-postal da cidade, outros limpam lama de casa, perdem móveis e ficam sem trabalho. Doenças associadas à água contaminada já afetam famílias inteiras.

Residentes improvisam passarelas, pontes artesanais e desobstrução de canais. A solidariedade local sustenta escolas como abrigos e redes de doação se organizam para o mínimo.

Na visão de pesquisadores, investimentos continuam concentrados em áreas estratégicas, sem enfrentar a raiz da vulnerabilidade. A vida nas baixadas depende de redes de apoio, não apenas da intervenção estatal.

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